Mostrar mensagens com a etiqueta Saramago. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Saramago. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira - Direito de resposta

Eme disse...
"(...) nomedamente para mulheres"?!?!?!?
Mas que comentário tao machista!!!
Aconselho-te a rever esses preconceitos...já não fazem nenhum sentido...

Minha cara (presumo) Eme, desde já peço desculpa pela má impressão que te deixei pelo texto do meu post sobre o Ensaio Sobre a Cegueira.
Quando eu fiz este último parágrafo:
"Em relação ao livro aconselho-o, mas deixo desde já a advertência que tem passagens um pouco fortes para pessoas mais susceptíveis nomeadamente para as mulheres."
Nunca foi com nenhum pensamento machista, coisa que, quem me conhece pode desde já afirmar-te que não sou! Antes pelo contrário, sempre tive o maior apreço e consideração pelas Mulheres, defendendo inclusivé que são mais inteligentes que os Homens.
Posto isto, a razão da existência deste parágrafo é relativa à parte (e aqui presumo que tenhas lido o livro), em que as mulheres são obrigadas a serem violadas para poderem ter comida.
Esta parte, que se a mim como Homem me impressionou, chegando mesmo a revoltar-me, imagino nas mulheres... (pensei eu).
Mais uma vez ficam as minhas desculpas e espero continuar-te a ter como visitante deste blog.
Pipas

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A Viagem do Elefante - José Saramago

Terminei de ler o último livro de José Saramago, A Viagem do Elefante e gostei bastante.
O livro tem como personagem principal Salomão/Solimão um elefante indiano que veio da Índia para Portugal no séc. XVI que depois foi oferecido como presente pelo Rei D. João III ao seu primo o Arquiduque da Aústria Maximiliano II.
A acção e história do mesmo centra-se na viagem entre Portugal e a Aústria, e nas peripécias que o elefante e restante comitiva enfrentaram.
Para além de Salomão/Solimão também entra outro personagem chave na história que é o seu tratador ou "cornaca", o indiano Subhro/Fritz, que funciona como personagem chave e de ligação entre o elefante, as restantes personagens e a acção propriamente dita.
Como não há muitas informações e dados concretos e históricos sobre esse acontecimento, Saramago escreveu o livro com acontecimentos ficcionados, num tom de conversa entre amigos e com muita ironia à mistura.
Saramago considera este seu livro como uma metáfora da vida.

"[Contei esta história] em primeiro lugar, porque me apeteceu, e em segundo lugar, porque, no fundo - se quisermos entendê-la assim, e é assim que a entendo - é uma metáfora da vida humana: este elefante que tem de andar milhares de quilómetros para chegar de Lisboa a Viena, morreu um ano depois da chegada e, além de o terem esfolado, cortaram-lhe as patas dianteiras e com elas fizeram uns recipientes para pôr os guarda-chuvas, as bengalas, essas coisas", referiu Saramago.
"Quando uma pessoa se põe a pensar no destino do elefante - que, depois de tudo aquilo, acaba de uma maneira quase humilhante, aquelas patas que o sustentaram durante milhares de quilómetros são transformadas em objectos, ainda por cima de mau gosto - no fundo, é a vida de todos nós. Nós acabamos, morremos, em circunstâncias que são diferentes umas das outras, mas no fundo tudo se resume a isso".

Achei este livro absolutamente delicioso, com uma escrita simples e agradável (o antípoda do Ensaio Sobre a Cegueira, que li recentemente), que pode ser lido por todos mesmo para quem não aprecie a escrita dele, de certeza que com este livro a sua opinião vai mudar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira


Por incrível que pareça, ainda não tinha lido este livro do nosso Nobel José saramago! Mas devido a toda esta discussão à volta do filme realizado pelo brasileiro Fernando Meireles, baseado nesse mesmo livro e ao meu desejo de o ir ver, decidi ler o livro em questão para depois o poder comparar e até mesmo perceber e integrar-me melhor na história.
Bom... Só me arrependo de não o ter lido há muito mais tempo atrás, o livro é fabuloso.
A história deste livro, baseia-se numa súbita doença contagiante que cega as pessoas e concentra-se num pequeno grupo onde está inserida a única que não é atingida por esse mal.
A partir daí é desenvolvida toda a espécie de situações, desde o isolamento dos cegos e respectiva vida dos mesmos no isolamento, às formas de relacionamento entre os cegos, a adaptação (ou não) a uma nova vida e os oportunismos criados com esta situação.
O livro tem partes muito intensas, que chegam a ser violentas física e psicológicamente, explorando a condição humana e a falta dela, ou a rapidez com que se perde a mesma.
Apesar de ser um livro do Saramago, com a sua má fama de escrita complicada, não o achei assim. Lê-se extremamente bem, é muito descritivo e fluído, sem nunca ser monótono.
Se o filme for como o livro (que não é dito pelo próprio realizador), ou muito próximo, de certeza que vai ser um bom filme.
Em relação ao livro aconselho-o, mas deixo desde já a advertência que tem passagens um fortes para pessoas mais susceptíveis nomeadamente para as mulheres.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um Saramago do séc. XVII


Estava eu entretido e envolvido na minha leitura das aventuras de capa e espada do Capitão Alatriste, quando leio esta magnífica passagem:
- "Com sotaque lusitano argumentou outro, como consolo, (...). O dito correspondia a um valentão com colete até aos joelhos, escorrido de carnes e de cabelo, que era grisalho, abundante e frisado em redor de um crânio respeitável queimado pelo sol. Tinha sido teólogo em Coimbra, dizia-se, até que um mau lance o levou ao caminho da canalha. Todos o tinham por homem de leis e letras, além de toledana, era conhecido como Saramago, o Português, tinha ar de fidalgo e comedido, e dizia-se dele que despachava almas por necessidade, poupando como um judeu para poder imprimir, à sua custa, um interminável poema épico em que trabalhava há cerca de vinte anos e que contava como a Península Ibérica se separava da Europa e ficava a flutuar como uma jangada no oceano, tripulada por cegos. Ou coisa que o valha."

Arturo Pérez-Reverte "O Ouro do Rei" - As Aventuras do capitão Alatriste

Quem diria que tinha havido um antepassado do Saramago, com os mesmos hábitos do Camões e mercenário em Espanha!!!!