sexta-feira, 10 de junho de 2011

Correcções - Jonathan Franzen


Jonathan Franzen é provavelmente um dos escritores Norte-Americanos mais conhecidos e lidos dos últimos tempos.
Recentemente lançou um livro “Liberdade” que se tornou um dos maiores sucessos no universo literário mundial e que consagrou definitivamente Jonathan Franzen como um grande escritor da actualidade.
Antes de ter escrito “Liberdade”, Franzen escreveu também outro magnífico livro “Correcções” e é sobre ele que eu vou falar.
“Correcções” escrito em 2001, apesar de não ser o primeiro livro de Franzen, foi o livro que o lançou. Foi com este livro que venceu diversos prémios literários como por exemplo o “National Book Award” ou o “New York Times Best Books of the Year” e o colocou na ribalta.
Este livro conta-nos a estória de uma família: Os Lambert, os pais Alfred e Enid e os seus três filhos, o mais velho Gary, o do meio Chip e a mais nova Denise.
A acção do livro passa-se durante os anos 90 do século passado, na época aúrea dos Estados Unidos, antes da crise económica, do atentado ao World Trade Center, quando ainda existia a “nova ordem mundial” e os Estados Unidos dominavam o mundo.
Alfred, o pai, engenheiro ferroviário reformado, com a doença de Parkinson, é um homem de regras e de escrúpulos, foi sempre fiel à empresa onde trabalhou, antes dela ter sido comprada e reformulada por um grupo de investidores, foi igualmente um pai e marido rígido e impôs uma educação baseada nesses valores aos seus filhos. Agora, doente, com todos os problemas que o Parkinson lhe traz e limitado apenas à companhia da sua mulher, tenta por todos os meios fazer a vida o mais normal possível apesar das dificuldades que isso traz a Enid.
Enid, a mãe, uma típica esposa dedicada ao marido e aos filhos, vive num mundo seu, desiludida no seu íntimo pela pouca ambição do marido e por isso nunca terem enriquecido (como os seus vizinhos que apostaram na bolsa e em fundos), com os seus filhos, que não foram os filhos perfeitos que ela sempre desejou, vive em exclusivo para o seu marido e tem em mente um projecto que quer concretizar a todo o custo que é juntar a família toda num último jantar de Natal na casa onde ainda habitam e onde os seus filhos nasceram e cresceram.
Gary, o filho mais velho apesar de ser o filho mais bem sucedido na vida, banqueiro, tal como o pai, agarrado ao trabalho, foi subindo na empresa devido ao seu “faro” para os negócios e investimentos. Mas nem tudo é perfeito na sua vida, Gary tem problemas, apesar de bem casado e com três filhos, não consegue impôr em casa a disciplina e a educação que ele quer, a mulher não quer ser dona de casa, tem valores totalmente contrários aos dele e aproveita-se de uma antiga lesão nas costas para fazer “chantagem emocional” com ele, utilizando e “virando” os filhos contra ele. Somando a isto tudo há a recusa da mulher e dos filhos de irem passar o Natal com Alfred e Enid, o que vai provocar uma série de problemas e incidentes na vida do casal.
O filho do meio, Chip, é o que se pode chamar a “ovelha negra” da família, deu um grande desgosto aos pais ao seguir literatura em vez de medicina ou engenharia. Mais tarde é colocado como professor numa escola e a vida até lhe vai correndo bastante bem, até se envolver com uma estudante menor, que lhe vai destruir a sua vida e carreira. Expulso da escola, decide tornar-se escritor e vive obcecado a escrever um argumento para um filme, enquanto que para viver vai fazendo uns trabalhos para um jornal e pedindo dinheiro emprestado à irmã. Até que um dia, se vê envolvido num esquema fraudulento que o vai levar para a Lituânia dos anos 90, recém independente da U.R.S.S. e na bancarrota, dominada por mafiosos e senhores da guerra.
Por fim temos Denice a filha mais nova, que também desiludiu os pais, principalmente a mãe, deixou de estudar, e começou a trabalhar num restaurante onde aprendeu e tornou-se uma chef. Entretanto casou-se com o dono do restaurante, um homem bastante mais velho que ela e judeu, mas o casamento dura pouco e ela vai trabalhar para outro restaurante, mais tarde conhece Brian, um programador informático que ficou rico devido a um programa por ele inventado e que constrói um restaurante de propósito para Denise administrar.
Através de Brian, Denise conhece também a sua família, principalmente a sua mulher Robin, que vai alterar a sua vida de vez.
Após Franzen nos ter dado a conhecer a família Lambert, um por um, vai acontecer uma situação na vida deles, relacionada com Alfred, e que por fim os vai juntar num último Natal e que vai servir para além de reunião de família, também de expiação a todos eles.
O que torna este livro tão bom, não é a estória particular de Lambert, mas sim o retrato social dos Estados Unidos que Lambert nos faz através dela.
Para além do normal confronto de gerações entre pais e filhos, temos também o próprio confronto de valores e morais entre as gerações mais próximas, o desmoronar do ideal de família Norte-Americano, em que os filhos seguiam as pisadas dos pais e tornavam-se também bons pais/mães de família, dedicados ao trabalho e ás famílias. Mostra também o “boom” tecnológico que se deu nos anos 90, a internet, os computadores, fortunas que se criaram de repente devido a isso e também da nova forma de fazer dinheiro através dessas novas tecnologias, a especulação, a bolsa, os fundos, a informação on-line que permite estar constamente a fazer negócios e também as vigarices e esquemas que acabaram por rebentar, originando a crise que depois nos afectou (e continua a afectar) a todos.
De facto é um livro magistral que nos prende do princípio ao fim, e que mereceu todos os prémios que recebeu.
Entretanto também já tenho o “Liberdade” e estou desejoso de o ler.

2 comentários:

Andressa C. disse...

Ótimo blog!

pedro disse...

bom resumo... ainda estou a pensar no livro, acabei-o ontem. Mas, ao contrário do que tenho visto muita gente dizer, achei o Liberdade muito melhor.
Boas leituras