quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Cesariny


Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny (1923-2006)

2 comentários:

Maldonado disse...

Começaste com uma boa escolha! Adoro Cesariny! :)

arco-íris negro disse...

para mim os dois últimos versos fazem o poema...