quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Homem Sem Qualidades Vol. I, II e III - Robert Musil


Depois de 1832 páginas divididas por três volumes, dei por concluida a leitura dessa épica e infelizmente tão desconhecida obra da literatura mundial do séc. XX que é "O Homem Sem Qualidades" de Robert Musil.
Robert Musil escritor Austríaco, contemporâneo de escritores germânicos como Thomas Mann ou Kafka, dedicou grande parte da sua vida a esta obra nunca chegando a termina-la.
"O Homem Sem Qualidades" é descrito pelo próprio Musil como um "não-romance"e um "um laboratório de possibilidades", devido à sua grandeza (tanto em tamanho físico como em qualidade literária) e à sua inconclusão.
A acção decorre na Viena do início do séc. XX mais propriamente em 1914, imediatamente antes da I Guerra Mundial que levou ao fim e ao desmembramento do Império Austro-Húngaro e traz a estória de Ulrich e da sua irmã Agathe e da sua relação tanto pessoal entre ambos como com o resto do mundo e da sociedade.
No primeiro volume (e maior) temos Ulrich um jovem não rico mas bem na vida, matemático, extremamente inteligente e pragmático mas sem ambições e preocupações que decide tirar umas "férias" até descobrir algo que realmente o empolgue.
De repente e sem querer vê-se envolvido numa "Acção Paralela", organizada pelo Conde de Leinsdorf que visa a comemoração do aniversário do Arquiduque Francisco.
Devido ao seu envolvimento nessa "Acção Paralela", Ulrich conhece a sua prima Diotima, também ela grande impulsionadora e mentora da "Acção Paralela" em cuja casa se realizavam as reuniões dos notáveis para decidir o que fazer.
Paralelamente temos também Clarisse e Walther, amigos de Ulrich que mantêm um casamento atribulado devido à quase insanidade de Clarisse, personagem muito própria que vai colocar questões filosóficas muito pertinentes durante todo o livro entretanto no final do primeiro volume o pai de Ulrich morre e ele reencontra a sua irmã Agathe que já não via há muitos anos.
No segundo volume Ulrich e a irmã Agathe envolvem-se numa relação muito intensa, sendo que ela divorcia-se do marido, vai viver com Ulrich e aos pouco e poucos vão-se afastando da vida em sociedade (deixando inclusivé a "Acção Paralela" e a casa de sua prima Diotima), passando apenas a viverem os dois isolados, lendo e discutindo problemas de "exactidão e alma", neste volume a relação de ambos vai-se tornando tão intensa, tão íntima que deixa sempre o leitor na dúvida sobre o que realmente se passa com eles.
No terceiro volume, temos a continuação da relação de Ulrich e Agathe e excertos, capítulos e partes do livros que ou nunca  foram publicados ou foram alterados nas partes depois publicadas.
Para além da relação de Ulrich e Agathe, Musil aborda um leque vasto de questões, desde a história desse periodo, a política e as lutas independentistas dos vários países que compunham o Império Austro-Húngaro, como questões filosóficas, morais e religiosas.
É de facto um livro "enorme" como atrás referi tanto pelo tamanho como pela qualidade, sem dúvida um dos melhores livros do séc. XX, uma obra monumental que nos obriga a ler com muita calma e que nos põe a pensar sobre muitas questões.
Esta versão portuguesa, da D. Quixote está muito boa, tendo um prefácio que nos intoduz à obra e ao autor mas também aos critérios de organização e tradução da mesma (diga-se já um excelente trabalho), por parte de João Barrento.
Recomendo-o vivamente.


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Duna

Só para informar que "já cá canta"!!!!
Pelo que já li nos vários blogues que já "analisaram" o livro, parece que foi feito um óptimo trabalho na adaptação e tradução deste livro, estou ansioso de o ler apesar de já conhecer a estória.
Quando o terminar irei aqui deixar a minha opinião.
Abraços

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Se há coisa que eu detesto é ser viciado em leitura e não conseguir ter tempo para ler!!!!!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

"Duna" Finalmente em Português

Uma boa notícia hoje!!!
Como anteriormente disse no post sobre o livro "À Beira do Fim" de Harry Harrison, sou um grande apreciador de ficção científica e hoje ao ler os blogues que sigo sobre livros, descobri que uma das maiores obras de ficção científica vai ser editada agora em Agosto por uma editora portuguesa, nomeadamente a Saída de Emergência".
Essa obra é o "Dune" ("Duna" na edição portuguesa) de Frank Herbert.
"Dune",provavelmente será mais conhecido pelo bem conseguido e fiel filme homónimo de 1984 realizado por David Lynch e com actores como Kyle MacLachlan, Francesca Annis e Sting nos principais papeis e é uma das maiores obras deste género literário, tendo criado (usando "O Senhor dos Anéis" de Tolkien como exemplo), um próprio mundo, uma própria religião e mitos, dando origem a uma série de livros sobre a "Casa Atreides" .
Naturalmente já li este livro, uma edição inglesa mas não vou perder a edição portuguesa.
Se não estiver enganado e pelo que percebi esta edição sai já no dia 6 de Agosto.

domingo, 18 de julho de 2010

2666 - Roberto Bolãno

Finalmente e após um enorme esforço (não por o livro ser mau, mas devido mesmo a falta de tempo), terminei a leitura deste "grande" livro.
"2666" é o livro póstumo e o maior tanto em qualidade como em tamanho do escritor chileno Roberto Bolãno que infelizmente faleceu antes de o terminar, deixando-o incompleto, mas mesmo incompleto não deixa de ser uma obra de grande valor e interesse.
Este livro está dividido em cinco partes, todas elas diferentes umas das outras (inicialmente e por vontade de Bolãno "2666" iria ser publicado sob a forma de cinco volumes, mas após a sua morte e revisão do original a editora decidiu publicá-lo em apenas um volume), mas que no fim se interligam umas nas outras.
Tudo começa com um grupo de quatro professores universitários europeus, especialistas em literatura germânica em que a sua obcessão/busca por um misterioso escritor Alemão com o nome de Benno Von Archimbold, os leva a uma cidade no norte do México junto à fronteira com os Estados Unidos. Cidade essa onde ocorrem uns misteriosos assassinatos de mulheres numa escala nunca vista, tendo também pelo meio a estória de Oscar Fate um jornalista Afro-Americano e a do Professor Almafitano, professor de Filosofia nessa cidade mexicana mais a sua filha.
Ao princípio e como atrás disse, parecem estórias independentes, mas com o continuar da leitura e apanhando as várias "pontas soltas" tudo se vai ligando, até nos levar ao final que infelizmente não existe o que não deixa de ser bom pois assim obriga-nos a imaginar e inventar esse mesmo final, analisando e juntando as pistas que Bolãno nos deixou durante a acção.
Este é um livro grande, tem um pouco mais 1000 páginas mas lê-se bastante bem, a estória como já referi, apesar de incompleta e aparentemente sem ligação, prende-nos à leitura e obriga-nos a pensar e a estar com atenção a essas "pontas soltas" que fazem a ligação entre as diversas partes do livro.
Gostei bastante de o ler, infelizmente não tive tempo para o ler mais depressa mas mesmo assim valeu bem a pena, é um bom livro e eu recomendo-o.

sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago

Último adeus a um grande escritor.
O Homem foi-se, mas a obra perdura.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Os Grandes Movimentos Literários Europeus - Francis Claudon

Aqui temos mais um "pequeno, grande livro"
Publicado pelas Publicações Europa-América, na Colecção Saber e em formato de bolso, este livro escrito por Francis Claudon (professor na Universidade Paris XII - Val de Marne de Literatura Comparada), traz de uma forma sucinta, de fácil compreensão e sem elitismos um resumo da história da literatura europeia, desde a Antiguidade Clássica à época contemporânea.
O livro divide-se em vários capítulos, sendo cada um deles respeitante a uma época histórica. Esses capítulos são iniciados primeiramente com um quadro/tabela que traz as datas e os acontecimentos mais importantes desse periodo nas áreas da História, Literatura, Arte e Diversos seguidos depois pelo texto onde fala e explica esses diversos movimentos e correntes literárias que ocorreram na Literatura da Europa.
Nos capítulos também estão inseridos na forma de "caixas", textos sobre os autores ou as obras que mais influenciaram ou marcaram o respectivo periodo ou movimento literário.
Achei este livro uma forma simples mas bastante elucidativa de dar a conhecer a história e os diversos movimentos pelos quais a literatura na Europa passou, influenciou ou transformou, conhecendo também os seus maiores autores e obras literárias.
Recomendo a todos

sábado, 24 de abril de 2010

Últimas aquisições

Tom Waits - Nocturnos

A Morte de Artur Vol. I - Thomas Malory

E a obra - prima de Alfred Doblin - Berlin Alexander-Platz



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia Mundial do Livro


Comemora-se hoje dia 23 de Abril o Dia Mundial do Livro e claro está que não podia deixar passar em claro esta efeméride.
Aconselho a todos a aproveitarem e a verem as diversas actividades, propostas e ofertas que as livrarias e editoras estão a fazer hoje (principalmente) mas também durante este fim de semana, alusivas ao tema, tal como promoções, trocas de livros, lançamentos,tertúlias e conferências etc.
É sempre de louvar este tipo de iniciativas, não só no dia de hoje mas também durante os restantes dias do ano para incentivar e fomentar o gosto e a divulgação pelos livros e pela leitura em geral.
Aproveito para relembrar que brevemente vai-se realizar a feira do livro em Lisboa, mas depois hei-de fazer um post próprio sobre esse tema.
Eu pessoalmente irei até à Fnac do Chiado onde hoje e amanhã irão estar livros em promoção e trocas de livros usados.
Boas leituras a todos.

domingo, 11 de abril de 2010

Kafka à Beira - Mar


Por vezes há autores que por uma razão ou por outra desconfiamos ao princípio, talvez por serem "best-sellers"e duvidarmos da sua qualidade literária, talvez por serem os autores da moda ou porque ficamos com uma noção errada do tipo de livros que eles escrevem.
Comigo, isso aconteceu com o Haruki Murakami, na altura que os livros dele começaram a fazer sucesso em Portugal, fiquei com a ideia que ele era outro Paulo Coelho, (desde já me perdoem os apreciadores do Paulo Coelho), fiz uma ideia bastante errada do género de escritor que ele era e da qualidade das suas obras.
Há uns tempos atrás enchi-me de coragem e pedi um livro dele por empréstimo, o livro era "A Rapariga que Inventou um Sonho", uma colectânea de contos (género literário que sou grande fã e que serviu de mote também para a leitura desse livro) e dou a "mão à palmatória" fiquei rendido à escrita dele.
Infelizmente devido a inúmeras coisas só recentemente é que me "agarrei" a outro livro dele, (que por acaso me foi oferecido por uma pessoa de quem eu gosto muito) e o livro em questão e de que eu vou falar aqui no blog é o "Kafka à Beira - Mar".
Kafka à Beira - Mar conta a estória de duas personagens que apesar de muito diferentes e sem nunca se conhecerem vão interferir no destino de uma da outra e com isso modificar as suas vidas para sempre.
Kafka Tamura, um jovem de quinze anos, extremamente inteligente e desportista mas completamente solitário, foge de casa. Abandonado pela mãe em pequeno, com um pai que nunca se interessa por ele e sem amigos Kafka decide-se fazer à vida e envereda por um caminho que aos poucos o leva até aos confins tanto do Japão como da sua alma, atormentado pelo seu passado e alterando o seu futuro.
Paralelamente temos Nakata, um idoso, que devido a um estranho acontecimento na sua infãncia perde as faculdades de ler e do conhecimento mas com alguns "dotes" especiais e que por força dos acontecimentos pelos quais é atraído e envolvido sem a sua vontade, segue o mesmo caminho que Kafka.
Murakami é um escritor com uma extrema sensibilidade e imaginação recorre a um imaginário simples mas complexo com o qual transforma as suas estórias e cria uma ambiencia de fantástico e de irreal (para isso também ajuda a própria "imagem" do Japão, com as suas tradições e cultura ancestral), mas ao mesmo tempo verdadeiro, como por exemplo a capacidade de Nakata falar com gatos ou ter como personagens (ir)reais o boneco da marca de whisky Johnnie wlker ou o Coronel Sanders da KFC.
Este livro a meu ver é muito bonito, fala por metáforas das vicissitudes da vida, a solidão, o amor, a perda, a amizade e convida à introspecção.
Fiquei rendido ao Haruki Murakami e ao seu universo.