quinta-feira, 27 de agosto de 2015

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Digital vs Papel


Hoje vou falar não sobre um livro específico mas sobre um tema que desde há algum tempo para cá tem vindo a criar muita "discussão" no (vou chamar assim) "meio dos livros".
Qual o melhor suporte para a leitura??? O clássico livro em papel?? Ou a leitura digital???
Neste meu post sobre este assunto, vou apenas dar a minha opinião, mostrar o meu ponto de vista, não vou defender nenhuma das formas de leitura, porque uso ambas.
Eu leio praticamente desde sempre, ainda antes de entrar na escola aos cinco anos, era fascinado pelos livros do "Donald" que o meu pai tinha em casa e queria saber o que os bonecos diziam, quase que obriguei a minha avó a ensinar-me a ler ainda antes de entrar primeira classe, claro que ao entrar na escola e ao longo do meu crescimento aprendi a ler melhor e o meu gosto pela leitura foi evoluindo, e o livro sempre me acompanhou desde aí.
Naturalmente que sempre li em papel, mas desde o advento da tecnologia e com a criação da leitura digital as coisas mudaram um bocadinho...
Há cerca de três anos comprei o meu primeiro tablet e logo aí uma das primeiras coisas que fiz foi instalar aplicações de leitura, decidi experimentar... Sim porque apesar do meu amor aos livros e à leitura, acho que tudo tem uma evolução.
Desde essa altura comecei a ler no tablet, entretanto já troquei de tablet para um melhor e continuei a ler, mas a leitura nos tablets tem desvantagens, a bateria dura pouco e a iluminação é muito forte para se passar muito tempo a ler, os meus olhos e a minha cabeça começaram a sentir-se, então decidi dar o passo seguinte, comprar um leitor digital específico para leitura os famosos "ereaders".
Já tinha pensado nisso anteriormente, mas como lia bem nos tablets achei que apenas ia duplicar os aparelhos e como o tablet serve para muito mais coisas do que só para ler deixei-me ficar, mas pelas razões atrás descritas, a semana passada e após alguma pesquisa sobre os assunto, decidi adquirir um ereader. Dos variados modelos que por aí andam acabei por escolher o "Kobo Aura" vendido pela Fnac.
Escolhi este modelo porque do que investiguei, sempre disseram muito bem do aparelho e pela facilidade e inúmera oferta de ebooks (em português) que a loja da Kobo/Fnac tem.
Estou muito satisfeito, o ereader é muito mais leve que o tablet, a bateria tem uma duração espantosa (carreguei-o quando o comprei, há uma semana atrás, tenho-o usado com alguma regularidade e nem metade gastou), a luminosidade não "fere" a vista é como se estivéssemos a ler em papel, os contras para mim só tenho a apontar o tamanho, preferia um pouco maior este modelo é de 6" (há maiores mas mais caros) e o preço... Acho que para o tipo de aparelhos que são, limitados (apesar de o Kobo ter wi fi e pode-se ir à net nele mas de uma forma limitada), não são tablets e há tablets bem mais baratos...
Agora se prefiro os ereaders ao livro "clássico"??? Evidentemente que não, ler um livro é sempre ler um livro, é uma coisa mágica, o objecto livro está carregado de simbolismo e emoção e nunca irei abdicar disso, aliás continuo a comprar livros como fazia antigamente. Mas o ereader tem outros atributos, a portabilidade, o conforto para mim que ando muito de transportes públicos isso é excelente, levo o ereader no saco ou na mochila, não pesa nada, não ocupa espaço e capacidade de armazenamento também nos permite (como no meu caso que por motivos profissionais por vezes tenho de viajar muito, por largos períodos de tempo e com pouco espaço para levar livros) ter um leque vasto de leitura num espaço mínimo.
Na minha opinião a leitura digital não vai "matar" o livro como alguns "arautos da desgraça" e "velhos do restelo" tanto profetizaram (pelo menos num futuro a curto e médio prazo) mas vem sim complementá-la, acho que quem lê nos ereaders também lê em papel, há situações para ambos os casos, eu pelo menos penso assim, mas acima de tudo acho que mais importante ainda do que o tipo de suporte da leitura, o mais importante é ler, adquirir conhecimento, cultura e prazer, isso sim é mais importante do que tudo o resto.

domingo, 16 de agosto de 2015

"Os Cadernos de Pickwick" - Charles Dickens



Quando se pensa em Dickens, vem-nos logo à memória livros como "Oliver Twist", "David Copperfield", "História de Duas Cidades" e o famosíssimo "Um Conto de Natal", livros em que Dickens nos traça uma visão pesada da difícil vida na Inglaterra vitoriana, o advento da revolução industrial, do capitalismo, as terríveis condições das classes mais baixas, com pobreza extrema e a exploração das classes pobres.
Com este "Os Cadernos de Pickwick", Dickens também nos traça igualmente uma visão crítica da Inglaterra da época, mas sob um olhar irónico, satírico e cómico.
Este livro, que originalmente não era um livro em si, mas um "folhetim" que foi publicado em vinte fascículos com ilustrações foi escrito entre 1836-1837 na juventude de Dickens, sendo quase de imediato um grande sucesso que muito contribuiu para a enorme fama como escritor que Dickens teve posteriormente.
Este livro tem como enredo, um suposto clube cujo presidente seria o Sr. Pickwick, personagem de alguma idade, com bastantes posses e solteiro que na sua reforma cria este clube como "base" para as suas viagens e adquirir com isso conhecimentos culturais e sociais, que depois seriam discutidos e debatidos entre os membros desse mesmo clube.
Pickwick, sempre acompanhado por três companheiros, inicia então o seu périplo pelos condados e regiões do sul de Inglaterra, onde irá passar por uma série de peripécias, situações rocambolesca, algumas até mesmo estapafúrdias  e inverosímeis, mas que no contexto da ação encaixam perfeitamente como situações naturais.
Apesar das situações cómicas deste livro, para mim, a grande alma do mesmo são sem dúvidas as suas personagens, para além de Pickwick, temos também os seus companheiros de aventuras e membros do clube que o acompanham sempre e também são parte importante como se verá ao longo do livro e temos especialmente Sam Weller, o criado de Pickwick, uma espécie de "Sancho Pança" que é uma das pedras fulcrais do livro, (foi após a entrada desta personagem na história que a procura da mesma se intensificou e tanta fama deu a este livro), com uma personalidade simples e sincera, mas extremamente inteligente e acima de tudo com uma lealdade a Pickwick acima de tudo e todos.
Para além destas personagens principais existem também toda uma série de outras personagens que vão desde ricos fazendeiros e as suas filhas "coquettes", vigaristas e oportunistas, advogados, juízes, caixeiros viajantes, cocheiros, boémios estudantes, senhorias solteiras e viúvas sempre prontas a casar novamente, jornalistas e políticos, enfim toda a sociedade inglesa da época desde a a mais alta à mais baixa, classe essa tão bem retratada nos capítulos referentes à prisão de Fleet.
Tal como nos seus livros seguintes Charles Dickens traz-nos neste livro uma visão muito crítica da Inglaterra da época, do seus usos e costumes, da sua justiça e leis que para uns (ricos) era extremamente flexível e para outros (pobres) de uma rigidez extrema, da política e a sua organização eleitoral, do jornalismo, dos hábitos sociais tanto das grandes cidades como Londres como das povoações mais pequenas, enfim um relato que apesar de muito irónico, satírico e cómico não deixa de ser completo e acertado.
Este livro é extremamente delicioso de se ler, consegue arrancar-nos umas boas gargalhadas e um sorriso que nos acompanha desde o princípio ao fim.

"Lista de espera"



Bom, como adoro ler e tenho este impulso incontrolável de comprar livros e  por vezes não tenho o tempo desejável para colmatar este vício, faz com que haja certas alturas em que a "lista de espera" dos livros vai aumentado, criando depois situações como a que me encontro agora...
Terminado o livro a que me tinha dedicado ultimamente, olho para a "lista de espera" e sinceramente nem sei o que irei ler a seguir... Os livros começam a empilhar-se, a diversidade é tanta que eu quase que entro em desespero pois não consigo decidir qual ler...
Sendo assim dividi os livros em duas categorias "Romance histórico" e "Romance" e peço a vossa ajuda para me ajudar a decidir qual livro irei ler em seguida...
Portanto na "categoria" de Romance histórico, tenho:

"O Corsário dos Sete Mares" e "O Navegador da Passagem" de Deana Barroqueiro
"O Almirante Português" - Jorge Moreira Silva
"Grandes Batalhas Navais Portuguesas" - José António Rodrigues Pereira (sendo que este livro é não ficção)
"As Garras da Águia" - Simon Scarrow
"As Sete Maravilhas do Mundo" - Steven Saylor
"Lendas e Narrativas" (vol. I e II) - Alexandre Herculano

Na "categoria" de romance são:

"Os Buddenbrook" - Thomas Mann
"A Minha Luta" (vol. I e II) - Karl Ove Knausgard
"Stoner" - John Williams
"Canada" - John Ford
"O Príncipe Negro" e "Uma Cabeça Decepada" - Iris Murdoch
"A Senda Estreita para o Norte Profundo" - Richard Flanagan
"Deixa Lá / Más Novas" Vol. I e II da "Família Melrose" - Edward St. Aubyn
"Auto-de-Fé" - Elias Canetti
"Reviver o Passado em Brideshead" - Evelyn Waugh

Nesta última lista, sendo que a saga "A Minha Luta" de Knausgard e "A Família Melrose" de St. Aubyn, ainda não estarem completas, penso que irei aguardar pelos restantes livros para ler todos de seguida, todos os restantes estão "prontos para a acção"!!!!
Deixem a vossa opinião (caso queiram ajudar-me) nos comentários
Obrigado

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"As Crónicas Saxónicas" - Bernard Cornwell


Tal como já referi em posts anteriores, um dos meus géneros preferidos de leitura é o chamado "romance histórico" porque alia duas das coisas que eu mais gosto, a leitura e a Historia, disciplina pela qual eu sempre fui apaixonado.
Dentro dos "romances históricos" há vários géneros, uns mais "sérios" e fieis aos acontecimentos em si e outros que apesar de serem também rigorosos na parte "científica" em si, permitem-se a criar situações e ações, que apesar de serem fictícias, mostram-nos à mesma os acontecimentos e a vida da época retratada mas por outros olhos. 
Um dos autores que mais utiliza essa última técnica é o britânico Bernard Cornwell, autor que eu já falei aqui no blog, devido a outra saga escrita por ele "Sharpe", que retrata as aventuras do herói com esse nome na altura das guerras Napoleónicas, principalmente na chamada "Guerra Peninsular" passada em Portugal e Espanha.
"As Crónicas Saxónicas" são tal como as "Aventuras de Sharpe" centradas numa personagem "Uhtred de Bebbanburg" sendo ele próprio o narrador, que sendo já velho vai contando a história da sua vida numa espécie de "memórias"e tudo isso se passa na ilha Britânica do séc. IX e X.
Nestes séculos, ainda não existia o país "Inglaterra", e a ilha estava dividida por vários reinos, a Escócia, Northumbria, Gales, Anglia Oriental, Mércia e Wessex, sendo "Uhtred" originário da Northumbria, (reino saxão mais a norte antes da Escócia).
A saga inicia-se precisamente na Northumbria mais propriamente em Bebbanburg, região que pertence à família de Uhtred desde a vinda dos saxões para a ilha Britânica, aí Uhtred vê a invasão Dinamarquesa, perde o seu irmão mais velho e o pai na luta contra os invasores, sendo ele raptado e criado por uma família Dinamarquesa. A partir daí Uhtred vai crescendo com os invasores, primeiro como escravo mas depois como parte integrante da família, abandona o cristianismo e converte-se aos deuses nórdicos, até que um dia a família adotiva é traída e morta, apenas escapando ele e o filho mais velho que na altura encontrava-se nas lutas na Irlanda, mas que mais tarde regressará e fará parte da saga.
Aqui dá-se a viragem na história, Uhtred tem de fugir para sul e após várias aventuras chega à corte do rei Alfredo de Wessex (o reino mais a sul da ilha Britânica e também o mais poderoso) onde se torna seu guerreiro jurado e vai combater os Dinamarqueses, auxiliando o rei Alfredo no seu sonho de criar um país único na ilha Britânica.
Mas apesar de ser próximo do rei Alfredo, a vida não é fácil para Uhtred, principalmente sendo ele pagão num reino e época de cristianismo fervoroso, vai ter vários inimigos, sofrer com intrigas e mentiras sobre ele. Além disto tudo, aquando da morte de seu irmão e pai, o castelo e as possessões de "Bebbanburg" que seriam suas por direito são-lhes roubadas pelo seu tio, sendo o maior objetivo da sua vida recuperar "Bebbanburg".
Isto aqui descrito é apenas um resumo e introdução da saga, Cornwell até este momento já escreveu oito livros, todos eles com um crescendo cronológico, retratando através de Uhtred o início e evolução da construção do país "Inglaterra" por Alfredo e seus sucessores.
Os livros em si são muito bem escritos, pormenorizados nos usos e costumes da época, as partes de ação são muito boas, as batalhas bem descritas, as lutas, o armamento, etc., tal como já nos tinha habituado no "Sharpe", o que nos cola aos livros e nos faz querer ler todos de uma assentada (tal como eu fiz), sendo que o último livro saiu recentemente na Inglaterra e nos Estados Unidos e eu nem esperei pela versão traduzida, li-o logo em inglês...
Eu li esta saga numa versão digital, porque apesar de já ter visto à venda um ou dois livros desta saga editados em português pela editora Planeta, penso que não os há todos editados por cá, o que é uma pena, sei que a "Saída de Emergência" está a editar outros livros deste autor pode ser que estes também sejam editados por eles, sendo que... a BBC está a fazer uma série de TV (ao género da "Guerra dos Tronos") desta saga que irá estrear em outubro, pode ser que sirva de incentivo...
A ordem dos livros para que esteja interessado em ler é esta:

- O Último Reino
- O Cavaleiro da Morte
- Os Senhores do Norte
- A Canção da Espada
- Terra em Chamas
- Morte dos Reis
- O Guerreiro Pagão
- The Empty Throne (ainda sem título em português)

Eu adorei esta saga, tem ação q.b., história, intriga, mistério, tudo o que é necessário para ser uma leitura que nos dá prazer e satisfação sem entrar em enredos muito complicados e desnecessários, aconselho. 

domingo, 9 de agosto de 2015

"Amadeo" - Mário Cláudio



Mário Cláudio escritor e poeta, nascido no Porto e com uma vasta obra literária, mostra nos neste seu “Amadeo” que um livro não precisa de ser extenso para ser uma grande obra literária.
O tema principal neste livro é a biografia “romanceada” do grande pintor português do início do século XX Amadeo de Souza-Cardoso. Mas para isso Mário Cláudio usa uma história paralela que serve de suporte à biografia do pintor.
Temos então duas acções paralelas que apesar de distintas uma da outra se complementam entre si.
A acção inicia-se com a biografia em si, com uma descrição da famosa casa de “Manhufe” em Amarante, o ambiente da casa, as criadas, o caseiro, a cozinheira e de tudo à volta dela, o Marão, os campos, a natureza Transmontana e depois é intercalada com o início da outra acção onde na forma de um diário, em que o narrador (cujo nome só saberemos no fim do livro) vai-nos mostrando como a biografia está a ser construída por “Papi” seu tio, um médico retirado cocainómano que vive atormentado pela escrita da biografia de Amadeo e pela decadência da sua quinta em que ambos vivem juntamente com uma criada alcoólica o marido e seus filhos.
A partir daqui as duas narrativas vão crescendo e tal como disse atrás complementando-se, Amadeo passa da infância para a adolescência, vai para Coimbra estudar, depois para Lisboa, desilude-se com Portugal, vai para Paris, onde tem uma relação conturbada com outros portugueses, partilha um estúdio com o pintor italiano Modigliani, casa-se com Lúcia, regressa a Portugal aquando da I Guerra Mundial onde acaba por falecer de pneumonia. Tudo isto intercalado com o diário do narrador que conta também os infortúnios de “Papi”, a investigação e a dificuldade que tem com a construção da biografia e a sua própria decadência.
No final, ambas as histórias terminam com um final trágico, a morte de Amadeo e… (têm de ler o livro para saber)
Neste livro que apesar de pequeno Mário Cláudio mostra-nos toda a sua mestria como escritor, utilizando uma linguagem cuidada e (a meu ver) melancólica, dando um ambiente emotivo e de época.
Com este livro Mário Cláudio recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Autores.

Falta dizer que li a edição de bolso da colecção “BIIS” da Leya e não consegui descobrir mais nenhuma edição (e mesmo esta foi difícil).

domingo, 11 de janeiro de 2015

Henry e Cato - Iris Murdoch


Henry e Cato é o primeiro livro que leio desta autora. Iris Murdoch escritora britânica (apesar de ter nascido na Irlanda), é uma das mais talentosas do séc. XX, para além de escritora foi também uma intelectual, formada em literaturas clássicas, história e filosofia, também com uma vasta obra nesta área científica. Apesar de toda esta formação, Iris Murdoch sempre frequentou escolas progressistas e chegou a pertencer ao Partido Comunista.
Henry e Cato, livro escrito em 1976 traz-no a estória de dois homens, Henry filho mais novo de uma família aristocrática inglesa que sempre viveu ofuscado pelo seu irmão mais velho, desprezado pelos pais, que foi viver para os Estados Unidos para se afastar de toda esta vida que nada lhe dizia em Inglaterra e Cato, o seu melhor amigo de infância, seu vizinho, também com um pai autoritário  e que decide tornar-se padre católico.
A ação começa com Henry que nos Estados Unidos sabe da morte do seu irmão e que é o herdeiro de toda a fortuna e principalmente da propriedade da família onde ele nasceu e cresceu. A partir daí Henry regressa a Inglaterra e começa uma sucessão de acontecimentos e sentimentos que lhe vão alterar para sempre a sua vida.
Paralelamente temos Cato que se encontra numa "missão" católica num bairro pobre de Londres e que se envolve num plano emocional platónico com um jovem rapaz Joe "Belo", que lhe vai trazer muitas dúvidas e dissabores.
Este livro tem uma estória fabulosa, um conjunto de personagens bem construídas com um plano psicológico e sentimental muito forte, Iris Murdoch consegue prender-nos do princípio, mostra com uma sensibilidade notória uma série de sentimentos contraditórios, o amor aos outros, a fé (ou a falta dela), a morte a perda, a inocência e também a inteligência e cultura.
Fiquei muito agradado com este livro e espero ler mais livros dela.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Na Rua das Lojas Escuras - Patrick Modiano

 
Como sabemos, o prémio Nobel da literatura é sempre uma "caixinha de surpresas", há sempre um núcleo duro de escritores que são os eternos candidatos, mas é quase sempre a outros que sai o dito prémio...
Este ano naturalmente não fugiu à regra e o Nobel foi para o escritor francês Patrick Modiano.
Escusado é dizer que nunca tinha lido nada dele, o nome não me era de todo desconhecido, mas não fazia a mínima ideia do que seria a sua obra literária.
Outra coisa que o Nobel traz de bom, são as editoras que aproveitam logo para; ou ir aos fundos de catálogo e escoar livros que andavam armazenados porque não eram vendidos ou caso o escritor não estivesse editado em Portugal, comprar logo os direitos e aproveitar para vender mais uns livros...
Sendo assim, fiquei curioso e fui pesquisar o que havia deste autor editado em português, descobri três livros, sendo um deles este "Na Rua das Lojas Escuras" que adquiri por um preço "Low Cost".
Vamos agora ao que interessa, o livro!!
Patrick Modiano com este "Na Rua das Lojas Escuras", traz-no uma estória de um homem que perdeu a memória e anda atrás do seu passado.
Guy, (identidade forjada) o herói desta estória era ajudante de um detetive privado que se reforma e fecha a agência em que ambos trabalhavam, podendo assim dedicar-se à busca do seu passado, saber quem era, o que tinha sido a sua vida, o porquê da sua amnésia.
Aos poucos, unindo pontas soltas, sempre numa ambiência de "policial negro", tendo como cenário uma Paris escura, Guy vai conseguindo montar o puzzle e descobrir quem foi e o que foi...
Apesar da temática e do ambiente desengane-se quem pensa que este livro é um policial, não há crimes, nem sangue, nem mortes, apenas uma grande melancolia, vários estados de alma e uma busca que vai para além duma identidade perdida, uma busca a um passado que se quer esquecido.
Gostei do livro, gostei da escrita do Modiano, o livro é pequeno e não é conclusivo, o que me deixou um pouco angustiado porque queria mais, uma pena tê-lo lido tão rápido...
Depois desta leitura fiquei curioso e penso adquirir e ler mais livros de Modiano para formar uma opinião mais completa sobre a sua obra, até lá aconselho este pequeno mas bom livro.

sábado, 11 de outubro de 2014

Centenário da Primeira Guerra Mundial


Como sabem este ano comemora-se o centenário da I Guerra Mundial, considerada a primeira guerra moderna, onde foram utilizadas pela primeira vez técnicas e armamentos que causaram uma mortandade até aí nunca antes vista.
Sendo assim, aproveitei esta efeméride para aprofundar um pouco mais os meus conhecimentos sobre esta guerra e o respetivo contexto histórico e social da mesma. Para isso fiz esta seleção de seis livros que abordam várias visões da I Guerra Mundial, tanto internacionalmente como nacionalmente.
Vou iniciar pelo maior e mais complexo dos seis livros, "A Primeira Guerra Mundial" do famosíssimo historiador Britânico Martin Gilbert.
Este livro é um "calhamaço", em quase 1000 páginas, Martin Gilbert expõe e explica com uma linguagem bastante acessível sem entrar no aborrecido e técnico, toda a I Guerra Mundial, desde o antes, os Impérios, as alianças, as invejas e intrigas que levaram ao eclodir da guerra, ao durante o primeiro avanço alemão, a estagnação na Bélgica, a guerra de trincheiras, os avanços e recuos as novas armas, a vida dos soldados, as diversas frentes e o fim da guerra, a rendição alemã, a humilhação da mesma no Tratado de Versalhes e o que daí virá no futuro.
É um livro completo, que resume a guerra e que se lê como se fosse um livro de ficção.
Depois do livro de Martin Gilbert que nos mostra o global, passo para quatro livros que nos dão a visão portuguesa do conflito.
Portugal também participou nesta guerra, apesar de só entrar oficialmente no conflito em 1916, desde 1914 que havia "escaramuças" com os alemães nas colónias. O livro seguinte, "Os Fantasmas do Rovuma" do jornalista Ricardo Marques conta-nos esse lado do conflito em que morreram e ficaram feridos centenas de portugueses e africanos no norte de Moçambique no rio Rovuma naquilo que é designada por muitos como a "guerra esquecida".
Portugal para defender as suas possessões em África principalmente no norte de Moçambique enviou tropas para combater os alemães junto ao rio Rovuma que faz a fronteira natural entre Moçambique e a Tanzânia que era uma possessão alemã na época, mas as tropas estavam muito mal equipadas e preparadas para combater na selva contra um inimigo implacável e genial, o que provocou uma série de "desastres" e insucessos na campanha de África em que morreram mais soldados de doença, cansaço, fome e sede do que da guerra propriamente dita.
O livro seguinte, não fala da guerra em si, mas de um "mito" português criada durante a mesma, "O Herói Português da I Guerra Mundial" do também jornalista Francisco Galope conta-nos a estória do soldado Milhais, depois "Milhões" que durante a batalha de "La Lys" a maior batalha onde Portugal lutou durante a guerra, aguentou uma posição de metralhadora e salvou dezenas de camaradas, sendo condecorado e considerado herói. "Milhões" após a guerra terminar voltou para Portugal onde foi "esquecido" até 1922, quando o "redescobrem" e a partir daí a máquina da propaganda cria o mito que perdura até hoje.
"A Malta das Trincheiras" de André Brun é um clássico!!!
André Brun, escritor, jornalista e cronista, combateu na I Guerra Mundial como oficial nas trincheiras e traz-nos este livro fantástico na primeira pessoa, cheio de ironia e humor mordaz, em que mostra o dia a dia dos soldados nas trincheiras (e fora delas), a vivência dos soldados, os (maus) hábitos dos portugueses e toda a mesquinhez e trapaças que eram o dia a dia das tropas.
Fiquei a saber que muitas expressões de gíria que ainda hoje se usam, nasceram nas trincheiras das Flandres e que a tropa de 1918 em muita coisa não é diferente da de 2014...
O quarto livro sobre a participação de Portugal na guerra, é o "Das Trincheiras Com Saudade" da historiadora Isabel Pestana Marques, que é a versão portuguesa do livro de Martin Gilbert.
Isabel Pestana Marques, traz-nos um livro técnico mas em linguagem acessível que esmiúça em pormenor todas situações e problemas que atingiram tropa Portuguesa, desde a criação do CEP (Corpo Expedicionário Português), o seu treino em Tancos, o embarque para França, a vida dos soldados em França, os seus hábitos, a disciplina (e falta dela), a higiene, as doenças, os combates, até ao desastre da batalha de La Lys e respetivo fim do CEP. Enfim um livro abrangente que nos dá uma visão completa da aventura Portuguesa em França.
O último livro desta seleção sobre a I Guerra Mundial, é um clássico da literatura, "A Oeste Nada de Novo" de Erich Maria Remarque, que nos mostra o lado Alemão da guerra, pelos olhos de um jovem soldado, que nela combate.
 Um livro fantástico, muito bonito que demonstra o absurdo da guerra. Este livro foi proibido em vários países durante muitos anos por ir contra o que as "máquinas propagandistas" diziam ser a virtude e razão da guerra.
Irei falar mais pormenorizadamente deste livro noutro post que irei fazer.
Sendo assim aqui ficam as minhas sugestões de leitura sobre o tema da I Guerra Mundial.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Nobel da Literatura 2014


E o Nobel deste ano foi para o francês Patrick Modiano...
O escritor Francês nascido nos arredores de Paris em 1945, foi o escolhido pela Academia Sueca este ano, que justifica a sua escolha pela forma como a sua “arte da memória evoca os mais inefáveis destinos humanos e desvela o mundo da ocupação” (nazi de França).
Mais uma a Academia Sueca surpreende pela escolha, apesar de Modiano ser um grande escritor, consagrado em França com vários prémios atribuídos, não era nenhum dos (eternos) candidatos mais prováveis.
Pessoalmente nunca li nada dele, sei que existem vários livros publicados em Portugal mas nunca reparei neles mas como normalmente quando um escritor vence o Nobel, as editoras reeditam  de seguida a sua obra, de certeza que brevemente irei ler algum livro para depois poder formar a minha opinião sobre a escrita de Modiano.
Para uma informação mais detalhada sobre a atribuição do Nobel da Literatura a Patrick Modiano, ler aqui.