domingo, 9 de agosto de 2015

"Amadeo" - Mário Cláudio



Mário Cláudio escritor e poeta, nascido no Porto e com uma vasta obra literária, mostra nos neste seu “Amadeo” que um livro não precisa de ser extenso para ser uma grande obra literária.
O tema principal neste livro é a biografia “romanceada” do grande pintor português do início do século XX Amadeo de Souza-Cardoso. Mas para isso Mário Cláudio usa uma história paralela que serve de suporte à biografia do pintor.
Temos então duas acções paralelas que apesar de distintas uma da outra se complementam entre si.
A acção inicia-se com a biografia em si, com uma descrição da famosa casa de “Manhufe” em Amarante, o ambiente da casa, as criadas, o caseiro, a cozinheira e de tudo à volta dela, o Marão, os campos, a natureza Transmontana e depois é intercalada com o início da outra acção onde na forma de um diário, em que o narrador (cujo nome só saberemos no fim do livro) vai-nos mostrando como a biografia está a ser construída por “Papi” seu tio, um médico retirado cocainómano que vive atormentado pela escrita da biografia de Amadeo e pela decadência da sua quinta em que ambos vivem juntamente com uma criada alcoólica o marido e seus filhos.
A partir daqui as duas narrativas vão crescendo e tal como disse atrás complementando-se, Amadeo passa da infância para a adolescência, vai para Coimbra estudar, depois para Lisboa, desilude-se com Portugal, vai para Paris, onde tem uma relação conturbada com outros portugueses, partilha um estúdio com o pintor italiano Modigliani, casa-se com Lúcia, regressa a Portugal aquando da I Guerra Mundial onde acaba por falecer de pneumonia. Tudo isto intercalado com o diário do narrador que conta também os infortúnios de “Papi”, a investigação e a dificuldade que tem com a construção da biografia e a sua própria decadência.
No final, ambas as histórias terminam com um final trágico, a morte de Amadeo e… (têm de ler o livro para saber)
Neste livro que apesar de pequeno Mário Cláudio mostra-nos toda a sua mestria como escritor, utilizando uma linguagem cuidada e (a meu ver) melancólica, dando um ambiente emotivo e de época.
Com este livro Mário Cláudio recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Autores.

Falta dizer que li a edição de bolso da colecção “BIIS” da Leya e não consegui descobrir mais nenhuma edição (e mesmo esta foi difícil).

domingo, 11 de janeiro de 2015

Henry e Cato - Iris Murdoch


Henry e Cato é o primeiro livro que leio desta autora. Iris Murdoch escritora britânica (apesar de ter nascido na Irlanda), é uma das mais talentosas do séc. XX, para além de escritora foi também uma intelectual, formada em literaturas clássicas, história e filosofia, também com uma vasta obra nesta área científica. Apesar de toda esta formação, Iris Murdoch sempre frequentou escolas progressistas e chegou a pertencer ao Partido Comunista.
Henry e Cato, livro escrito em 1976 traz-no a estória de dois homens, Henry filho mais novo de uma família aristocrática inglesa que sempre viveu ofuscado pelo seu irmão mais velho, desprezado pelos pais, que foi viver para os Estados Unidos para se afastar de toda esta vida que nada lhe dizia em Inglaterra e Cato, o seu melhor amigo de infância, seu vizinho, também com um pai autoritário  e que decide tornar-se padre católico.
A ação começa com Henry que nos Estados Unidos sabe da morte do seu irmão e que é o herdeiro de toda a fortuna e principalmente da propriedade da família onde ele nasceu e cresceu. A partir daí Henry regressa a Inglaterra e começa uma sucessão de acontecimentos e sentimentos que lhe vão alterar para sempre a sua vida.
Paralelamente temos Cato que se encontra numa "missão" católica num bairro pobre de Londres e que se envolve num plano emocional platónico com um jovem rapaz Joe "Belo", que lhe vai trazer muitas dúvidas e dissabores.
Este livro tem uma estória fabulosa, um conjunto de personagens bem construídas com um plano psicológico e sentimental muito forte, Iris Murdoch consegue prender-nos do princípio, mostra com uma sensibilidade notória uma série de sentimentos contraditórios, o amor aos outros, a fé (ou a falta dela), a morte a perda, a inocência e também a inteligência e cultura.
Fiquei muito agradado com este livro e espero ler mais livros dela.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Na Rua das Lojas Escuras - Patrick Modiano

 
Como sabemos, o prémio Nobel da literatura é sempre uma "caixinha de surpresas", há sempre um núcleo duro de escritores que são os eternos candidatos, mas é quase sempre a outros que sai o dito prémio...
Este ano naturalmente não fugiu à regra e o Nobel foi para o escritor francês Patrick Modiano.
Escusado é dizer que nunca tinha lido nada dele, o nome não me era de todo desconhecido, mas não fazia a mínima ideia do que seria a sua obra literária.
Outra coisa que o Nobel traz de bom, são as editoras que aproveitam logo para; ou ir aos fundos de catálogo e escoar livros que andavam armazenados porque não eram vendidos ou caso o escritor não estivesse editado em Portugal, comprar logo os direitos e aproveitar para vender mais uns livros...
Sendo assim, fiquei curioso e fui pesquisar o que havia deste autor editado em português, descobri três livros, sendo um deles este "Na Rua das Lojas Escuras" que adquiri por um preço "Low Cost".
Vamos agora ao que interessa, o livro!!
Patrick Modiano com este "Na Rua das Lojas Escuras", traz-no uma estória de um homem que perdeu a memória e anda atrás do seu passado.
Guy, (identidade forjada) o herói desta estória era ajudante de um detetive privado que se reforma e fecha a agência em que ambos trabalhavam, podendo assim dedicar-se à busca do seu passado, saber quem era, o que tinha sido a sua vida, o porquê da sua amnésia.
Aos poucos, unindo pontas soltas, sempre numa ambiência de "policial negro", tendo como cenário uma Paris escura, Guy vai conseguindo montar o puzzle e descobrir quem foi e o que foi...
Apesar da temática e do ambiente desengane-se quem pensa que este livro é um policial, não há crimes, nem sangue, nem mortes, apenas uma grande melancolia, vários estados de alma e uma busca que vai para além duma identidade perdida, uma busca a um passado que se quer esquecido.
Gostei do livro, gostei da escrita do Modiano, o livro é pequeno e não é conclusivo, o que me deixou um pouco angustiado porque queria mais, uma pena tê-lo lido tão rápido...
Depois desta leitura fiquei curioso e penso adquirir e ler mais livros de Modiano para formar uma opinião mais completa sobre a sua obra, até lá aconselho este pequeno mas bom livro.

sábado, 11 de outubro de 2014

Centenário da Primeira Guerra Mundial


Como sabem este ano comemora-se o centenário da I Guerra Mundial, considerada a primeira guerra moderna, onde foram utilizadas pela primeira vez técnicas e armamentos que causaram uma mortandade até aí nunca antes vista.
Sendo assim, aproveitei esta efeméride para aprofundar um pouco mais os meus conhecimentos sobre esta guerra e o respetivo contexto histórico e social da mesma. Para isso fiz esta seleção de seis livros que abordam várias visões da I Guerra Mundial, tanto internacionalmente como nacionalmente.
Vou iniciar pelo maior e mais complexo dos seis livros, "A Primeira Guerra Mundial" do famosíssimo historiador Britânico Martin Gilbert.
Este livro é um "calhamaço", em quase 1000 páginas, Martin Gilbert expõe e explica com uma linguagem bastante acessível sem entrar no aborrecido e técnico, toda a I Guerra Mundial, desde o antes, os Impérios, as alianças, as invejas e intrigas que levaram ao eclodir da guerra, ao durante o primeiro avanço alemão, a estagnação na Bélgica, a guerra de trincheiras, os avanços e recuos as novas armas, a vida dos soldados, as diversas frentes e o fim da guerra, a rendição alemã, a humilhação da mesma no Tratado de Versalhes e o que daí virá no futuro.
É um livro completo, que resume a guerra e que se lê como se fosse um livro de ficção.
Depois do livro de Martin Gilbert que nos mostra o global, passo para quatro livros que nos dão a visão portuguesa do conflito.
Portugal também participou nesta guerra, apesar de só entrar oficialmente no conflito em 1916, desde 1914 que havia "escaramuças" com os alemães nas colónias. O livro seguinte, "Os Fantasmas do Rovuma" do jornalista Ricardo Marques conta-nos esse lado do conflito em que morreram e ficaram feridos centenas de portugueses e africanos no norte de Moçambique no rio Rovuma naquilo que é designada por muitos como a "guerra esquecida".
Portugal para defender as suas possessões em África principalmente no norte de Moçambique enviou tropas para combater os alemães junto ao rio Rovuma que faz a fronteira natural entre Moçambique e a Tanzânia que era uma possessão alemã na época, mas as tropas estavam muito mal equipadas e preparadas para combater na selva contra um inimigo implacável e genial, o que provocou uma série de "desastres" e insucessos na campanha de África em que morreram mais soldados de doença, cansaço, fome e sede do que da guerra propriamente dita.
O livro seguinte, não fala da guerra em si, mas de um "mito" português criada durante a mesma, "O Herói Português da I Guerra Mundial" do também jornalista Francisco Galope conta-nos a estória do soldado Milhais, depois "Milhões" que durante a batalha de "La Lys" a maior batalha onde Portugal lutou durante a guerra, aguentou uma posição de metralhadora e salvou dezenas de camaradas, sendo condecorado e considerado herói. "Milhões" após a guerra terminar voltou para Portugal onde foi "esquecido" até 1922, quando o "redescobrem" e a partir daí a máquina da propaganda cria o mito que perdura até hoje.
"A Malta das Trincheiras" de André Brun é um clássico!!!
André Brun, escritor, jornalista e cronista, combateu na I Guerra Mundial como oficial nas trincheiras e traz-nos este livro fantástico na primeira pessoa, cheio de ironia e humor mordaz, em que mostra o dia a dia dos soldados nas trincheiras (e fora delas), a vivência dos soldados, os (maus) hábitos dos portugueses e toda a mesquinhez e trapaças que eram o dia a dia das tropas.
Fiquei a saber que muitas expressões de gíria que ainda hoje se usam, nasceram nas trincheiras das Flandres e que a tropa de 1918 em muita coisa não é diferente da de 2014...
O quarto livro sobre a participação de Portugal na guerra, é o "Das Trincheiras Com Saudade" da historiadora Isabel Pestana Marques, que é a versão portuguesa do livro de Martin Gilbert.
Isabel Pestana Marques, traz-nos um livro técnico mas em linguagem acessível que esmiúça em pormenor todas situações e problemas que atingiram tropa Portuguesa, desde a criação do CEP (Corpo Expedicionário Português), o seu treino em Tancos, o embarque para França, a vida dos soldados em França, os seus hábitos, a disciplina (e falta dela), a higiene, as doenças, os combates, até ao desastre da batalha de La Lys e respetivo fim do CEP. Enfim um livro abrangente que nos dá uma visão completa da aventura Portuguesa em França.
O último livro desta seleção sobre a I Guerra Mundial, é um clássico da literatura, "A Oeste Nada de Novo" de Erich Maria Remarque, que nos mostra o lado Alemão da guerra, pelos olhos de um jovem soldado, que nela combate.
 Um livro fantástico, muito bonito que demonstra o absurdo da guerra. Este livro foi proibido em vários países durante muitos anos por ir contra o que as "máquinas propagandistas" diziam ser a virtude e razão da guerra.
Irei falar mais pormenorizadamente deste livro noutro post que irei fazer.
Sendo assim aqui ficam as minhas sugestões de leitura sobre o tema da I Guerra Mundial.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Nobel da Literatura 2014


E o Nobel deste ano foi para o francês Patrick Modiano...
O escritor Francês nascido nos arredores de Paris em 1945, foi o escolhido pela Academia Sueca este ano, que justifica a sua escolha pela forma como a sua “arte da memória evoca os mais inefáveis destinos humanos e desvela o mundo da ocupação” (nazi de França).
Mais uma a Academia Sueca surpreende pela escolha, apesar de Modiano ser um grande escritor, consagrado em França com vários prémios atribuídos, não era nenhum dos (eternos) candidatos mais prováveis.
Pessoalmente nunca li nada dele, sei que existem vários livros publicados em Portugal mas nunca reparei neles mas como normalmente quando um escritor vence o Nobel, as editoras reeditam  de seguida a sua obra, de certeza que brevemente irei ler algum livro para depois poder formar a minha opinião sobre a escrita de Modiano.
Para uma informação mais detalhada sobre a atribuição do Nobel da Literatura a Patrick Modiano, ler aqui.

sábado, 8 de junho de 2013

"PULP" - Charles Bukowski


Recentemente descobri um autor Norte-Americano (até bastante conhecido por acaso, nem sei como nunca tinha lido nada dele anteriormente), que me atraiu bastante.
Esse autor é Charles Bukowski, nascido em 1920 na Alemanha, filho de pai Americano e mãe alemã, foi para os Estados Unidos logo em pequeno, para Los Angeles onde viveu quase toda a sua vida.
Charles Bukowski é mais um daqueles autores aos quais podemos colocar o rótulo de "malditos". Apesar de ser um excelente autor e poeta (considerados por muitos um dos melhores do séc. XX), também foi um Homem de excessos, toda a sua vida foi levada ao extremo, irreverência, muito álcool, tabaco, e muitos mais vícios, que duraram toda a sua vida.
Bukowski apesar de nunca se ter juntado a eles é igualmente considerado como o último escritor do movimento "Beat" (corrente literária dos anos 50 cujos nomes mais conhecidos são Kerouac, Ginsberg e Burroughs).
Morreu de pneumonia devido aos tratamentos para a leucemia em 1994 com 73 anos.
O livro que me apresentou a este autor é justamente o último que ele escreveu, "Pulp".
"Pulp" é um dos poucos livros dele que não é autobiográfico, é um romance misto de policial "noir" com uma pitada de comédia e ironia q.b..
Neste livro Bukowski traz-nos Nike Belane um detetive privado ao estilo de Philip Marlowe de Raymond Chandler que é contratato por uma linda mulher que se intitula "Dona Morte" para encontrar "Céline", que supostamente estaria morto há mais de trina anos mas que é visto regularmente numa livraria de L.A., a partir daqui Nick Belane vê se envolvido numa série de peripécias, perseguições, lutas, sexo, enganos e desenganos, vigaristas e também noutros casos com contornos estranhos, como por exemplo uma invasão extra-terrestre ou a busca de um pássaro misterioso que nem sequer se sabe se existe.
A escrita de Bukowski é como ele, dura, dos bairros pobres, dos bares, da vida da noite, com muita gíria e calão, mas ao mesmo tempo prendo-nos ao livros e neste particular com tanta e estranha ação, faz-nos devorar o livro em menos de nada.
Gostei tanto que já ando a ler outros livros dele.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

“Tudo o que te disser” - Manuel António Pina



São feitas de palavras as palavras
e da melancolia da 
ausência da prosa e da ausência da poesia.

É o que falta que fala
do lugar do exílio
do sentido e da falta de sentido.

Tudo o que te disser
tudo o que escrever
sou eu a perder-te,

cada palavra entre
o que em mim é corpo
e é nela sopro.

“Tudo o que te disser” - Manuel António Pina

domingo, 26 de maio de 2013

Feira do Livro 2013



Apesar de já há muito tempo não postar nada aqui no blog, não quer dizer que tenha "abandonado" este meu vício de ler e de tudo o resto que tenha a ver com livros e o mundo que os rodeia.
Sendo assim, aproveitando já estar em Lisboa hoje, decidi dar uma "espreitadela" à edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa.
Para mim ir à Feira do Livro, é um ritual que eu raramente falto, adoro lá ir, subir e descer o Parque Eduardo VII várias vezes, ver os livros, os stands, as pessoas e toda a animação que rodeia este acontecimento literário.
Infelizmente, desde alguns atrás para cá, não há ano nenhum em que não haja algo a ensombrar a Feira, e este também houve... Não diretamente com a Feira de Lisboa, mas a não realização da mesma no Porto.
Sendo assim, depois de um bom almoço de comida oriental na Baixa e de um café numa esplanada num dos quiosques da Avenida da Liberdade, lá fui eu...
A Feira em si, mantém-se na mesma forma física, duas filas de stands em ambos os lados do Parque,  intervalados com alguns stands de comes e bebes e de atividades lúdicas e recreativas (principalmente para os mais pequenos).
Hoje estava um dia excelente, não muito quente, apenas com um pouco de vento, mas nada que chateasse o que tornou o passeio ainda melhor, comecei pelos stands dos alfarrabistas e livrarias, onde se podem encontrar livros e edições antigas ou de fim de catálogo e quase sempre a preços muito acessíveis, depois passei pelas editoras de livros técnicos e das
universidades e depois as editoras "generalistas".
Tal como sabemos, o mundo editorial e o livro, cada vez mais é ditado tanto pelo mundo económico, como pelas modas...
Em relação às "modas", não me pronuncio... Mas em relação ao resto, infelizmente cada vez mais as editoras, não são editoras cuja missão era divulgar a literatura, os autores, a cultura, mas sim "máquinas de fazer dinheiro".
Quem conhece o meio editorial em Portugal, sabe que existem bastantes editoras, e também sabe que muitas dessas editoras estão agregadas a três grupos que atualmente dominam o mundo do livro e isso reflete-se também na feira.
O que eu quero dizer com isto, é que com a agregação dos stands das editoras desses grupos em "praças", com sensores de alarmes, seguranças e filas para pagamento nas caixas, tira em muito o espírito de "Feira", e parece que estamos em qualquer centro comercial.
E este ano ainda mais triste fiquei, porque umas das editoras que mais gosto e onde compro livros, a Assírio & Alvim, foi adquirida também por um desses grupos e estava para "lá enfiada",e descaracterizada, com livros de extrema qualidade pouco visíveis e preteridos por outros da "moda".
Mesmo assim, ainda comprei dois livros, "Cultura - Tudo o que é preciso saber" de Dietrich Schwanitz e "Todas as Palavras - poesia reunida" de Manuel António Pina.
Apesar de tudo foi um bom passeio e uma tarde bem passada.


sábado, 25 de agosto de 2012

50 livros que toda a gente deve ler.


O jornal Expresso, no seu suplemento cultural (Atual) através de um conjunto de jornalistas/escritores seus colaboradores (Ana Cristina Leonardo, Clara Ferreira Alves, Henrique Monteiro, José Mário Silva, Luísa Mellid-Franco e Pedro Mexia) fez uma lista de 50 livros que toda a gente deveria ler.
As razões por eles apontadas para serem estes e não outros são por eles justificadas desta forma:

“Não há listas perfeitas. Escolher 50 livros (ou 100) implica sempre deixar de fora muitas obras igualmente importantes - ou até mais importantes - que poderiam com toda a justiça estar no lugar destas. Conscientes de que é impossível agradar a gregos e a troianos, pretendemos fazer uma seleção equilibrada, com natural predomínio dos clássicos (essas obras que já passaram o crivo do tempo e entraram no cânone), mas também com algumas apostas pessoais dos colaboradores, escolhas talvez menos óbvias e que esperamos possam corresponder a surpresas e descobertas.
Estes 50 títulos foram fixados após um processo de sobreposição de várias listas. A ordem em que aparecem não reflete qualquer juízo de valor comparativo. E uma coisa é certa: mais ou menos consensuais, todos os livros sugeridos têm uma qualidade literária acima de qualquer suspeita.”
Texto publicado na revista Atual de 18 de agosto de 2012”
Depois disto tudo fiquei curioso e fui ver quais eram os livros e evidentemente que fiz a minha listagem para ver quais os que já li, os que tenho na minha posse mas que ainda não li e por fim os que não possuo nem li.
E os resultados são os seguintes:
“Guerra e Paz” - Lev Tolstói – Possuo, mas não li
“Ficções” - Jorge Luis Borges – Possuo e já li
“Crime e Castigo” - Fiódor Dostoievski – Não possuo e não li
“As Elegias de Duíno” - Rainer Marie Rilke – Não possuo e não li
“Ulisses” James Joyce – Possuo e já li
“À Espera de Godot” - Possuo e já li
“MacBeth” - William Shakespeare – Não possuo mas já li
“Os Miseráveis” - Victor Hugo – Possuo mas não li
“A República” - Platão – Não possuo e não li
“O Coração das Trevas” - Joseph Conrad – Possuo e já li
“O Homem Sem Qualidades” - Robert Musil – Possuo e já li
“O Processo” - Franz Kafka – Possuo e já li
“Madame Bovary” - Gustave Flaubert – Possuo mas não li
“A Vida e Opiniões de Tristam Shandy” - Laurence Sterne – Não possuo e não li
“A Vida Modo de Usar” - Georges Perec - Não possuo e não li
“Memórias Póstumas de Brás Cubas” - Machado de Assis - Não possuo e não li
“O Ofício de Viver” - Cesare Pavese - Não possuo e não li
“A Montanha Mágica” - Thomas Mann - Possuo e já li
“Retrato de Uma Senhora” - Henry James - Não possuo e não li
“Lolita” - Vladimir Nabokov – Possuo e já li
“Rayuela – O Jogo do Mundo” - Julio Cortázar - Não possuo e não li
“Em Busca do Tempo Perdido” - Marcel Proust – Possuo mas não li
“Moby Dick” - Herman Melville - Não possuo e não li
“Se Isto é Um Homem” - Primo Levi – Possuo mas não li
“O Vermelho e o Negro” - Stendhal – Possuo mas não li
“O Grande Gatsby” - F. Scott Fitzgerald – Possuo e já li
“Ensaios” - Michel de Montaigne - Não possuo e não li
“Poeta em Nova Iorque” - Federico Garcia Lorca - Não possuo e não li
“Austerlitz” - W. G. Sebald - Não possuo e não li
“As Aventuras de Augie March” - Saul Bellow - Não possuo e não li
“1984” - George Orwell - Possuo mas não li
“Terra Sem Vida” - T. S. Eliot – Não possuo e não li
“Os Maias” - Eça de Queiroz – Possuo e já li
“As Ondas” - Virginia Woolf – Possuo mas não li
“Dom Quixote de La Mancha” - Possuo mas não li
“Poesia” - Giuseppe Ungaretti - Não possuo e não li
“Poesia” - Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) – Possuo e já li
“Confissões” - Santo Agostinho – Não possuo e não li
“Auto-De Fé” - Elias Canetti - Não possuo e não li
“O Som e A Fúria” - William Faulkner – Possuo mas não li
“Debaixo do Vulcão” - Malcom Lowry – Possuo e já li
“O Monte dos Vendavais” - Emily Bronte – Não possuo e não li
“O Ano da Morte de Ricardo Reis” - José Saramago – Possuo e já li
“Os detetives Selvagens” - Roberto Bolaño – Não possuo e não li
“Candido ou o Optimismo” - Voltaire – Possuo mas não li
“Submundo” - Don Delillo – Não possuo e não li
“Odisseia” - Homero – Não possuo e não li
“A Divina Comédia” - Dante Alighieri – Não possuo e não li
“Quando Tudo se Desmorona” - Chinua Achebe – Não possuo e não li
“Obra Poética” Sophia de Mello Breyner Andresen – Não possuo e não li


Resumindo deste 50 livros ja li 14, tenho na minha posse mas ainda não li 11 e nunca li, nem tenho na minha posse 25 livros, atendendo que os que tenho não lidos mais cedo ou mais tarde os irei ler acho que estou a metade/metade da lista o que não é mau de todo...
Naturalmente se fosse eu a fazer a lista, seria um pouco diferente, mas na essência seria muito parecida, mas este tipo de listas, (tal como eles próprios justificam) não passam disso mesmo, listas, porque não há livros nem autores perfeitos e o que para uns é bom para outros é péssimo, mas funcionam bem como guias e sugestões de leituras.

domingo, 20 de maio de 2012

Malone Está a Morrer - Samuel Beckett



Samuel Beckett... Escritor e dramaturgo, vencedor de um Nobel, com uma história de vida fabulosa é também dos autores mais difíceis (a par de Joyce, de quem Beckett foi compatriota e discípulo) que eu já li.
A obra de Beckett é muito metafórica, estranha, vai até às profundezas do Homem, da sua condição, da sua humildade e emoção, chegando mesmo ao surreal.
Este livro, "Malone Está a Morrer", que faz parte de uma trilogia, é o exemplo perfeito da descrição que fiz da sua obra.
Temos a personagem "Malone" que se apresenta como um velho quase a morrer, e que se encontra  deitado numa cama, sozinho num quarto, sem saber aonde, nem como foi lá parar.
Ao princípio ainda ia uma mulher, também idosa mas menos que ele, levar-lhe comida, mas depois deixou de lá ir, sendo a comida entregue através de um postigo na porta.
Malone para passar o tempo, para além das suas próprias divagações vai inventar e escrever uma história num caderno que diz ter, mas que também não sabe como lhe foi parar às mãos...
Sendo assim aparece Sapocast, um jovem e a sua família.
Beckett, através de Malone vai criar uma série de situações e consegue ao mesmo tempo, intercalar de uma forma excelente as divagações de Malone com a narrativa da estória de Sapocast e sua família.
Depois de uma série de peripécias, Malone retoma a narrativa mas deixa de haver Sapocast e aparece Macmann, também um idoso que se encontra num lar/hospital psiquiátrico, onde Beckett deixa vir ao de cima a sua imaginação e o apresenta-nos mais uma série de personagens e acontecimentos surreais.
O final do livro é inconclusivo, o que leva a cada um de nós imaginar o seu fim...
O livro não é grande, mas também não é de leitura fácil, mas mostra ao mesmo tempo a inteligência e a visão da Humanidade de Beckett.