domingo, 6 de maio de 2012

Mossad - Os Carrascos do Kidon - Eric Frattini


Eric Frattini, jornalista (foi correspondente de jornais e cadeias de televisão no Médio Oriente) e escritor cujos livros retratam vários "temas quentes", desde agências de espionagem (como no caso específico deste livro), aos meandros e mistérios da Igreja e dos Papas, e até ao Bin Laden e à Máfia, traz-nos neste livro a história, a organização e o relato/investigação de ações levadas a cabo por uma das agências de segurança mais temíveis a nível mundial, a Mossad de Israel.
Apesar de ser sobre a Mossad, este livro debruça-se mais nas ações do "Kidon", um pequeno grupo de especialistas cuja especialidade é a "eliminação física" dos inimigos de Israel.
A primeira ação realizada pela Mossad e que deu origem ao surgimento do "Kidon" seria em 1960 quando os agentes da Mossad descobrem em Buenos Aires na Argentina o nazi Adolf Eichmann, um dos principais mentores da chamada "solução final" que causou o "Holocausto" e a morte de milhões de judeus, e o conseguem raptar e trazer para Israel sendo assim julgado pelos crimes de guerra que cometeu.
A partir daqui sempre que necessário e com autorização expressa do primeiro ministro de Israel, o "Kidon"  foi utilizado para garantir a segurança do estado de Israel.
Outra das ações aqui retratadas mais conhecida e espetacular que o "Kidon" realizou foi a "caça" e "eliminação" dos terroristas que em 1972 mataram os atletas olímpicos de Israel nos jogos de Munique (esta ação foi também muito bem retratada no excelente filme de Steven Spielberg "Munique").
Para além destas duas ações muitas mais (ou pelo menos as mais conhecidas) são retratadas neste livro, desde 1960 até aos dias de hoje (ainda há bem pouco tempo instalou-se uma polémica quando agentes do "Kidon" foram descobertos no Dubai com passaportes europeus), e o leque de inimigos vai muito além dos terroristas Palestinianos, passa também por dissidentes Israelitas, cientistas (físicos nucleares) do Irão e até mesmo o polémico caso do poderoso magnata da imprensa Robert Maxwell que supostamente também foi morto pela Mossad. Os métodos utilizados também variam conforme o caso, e vão desde a morte "cara a cara" com armas de fogo, a bombas e armadilhas explosivas até à utilização mais recentemente de "UAV'S", mísseis inteligentes e helicópteros de guerra (Apache).
Quer se concorde ou não com estes métodos, temos que admitir que Israel sempre soube lutar contra os seus inimigos e uma das armas mais utilizada foi a eliminação física das pessoas que mais mal e perigo causam à integridade do estado de Israel.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Limite - Frank Schatzing


Há muito que não lia um livro com tanta ação como este "Limite" de Frank Schatzing. Passado num futuro próximo (2025), é um misto de ficção científica com policial e espionagem.
Num planeta Terra cujas reservas de petróleo estão quase no fim, Julian Orley (personagem que é um misto de Steve Jobs e Richard Branson), um visionário e o homem mais rico do planeta, consegue dinamizar a exploração espacial e com isso a extração de um  minério (Hélio 3) que só existe na Lua em quantidades praticamente inesgotáveis e não poluidor, libertando assim o planeta da necessidade do petróleo.
Entretanto na China, temos um detetive privado especializado em crimes cibernéticos que é contratado para descobrir uma jovem também ela hacker e dissidente que andava foragida e perseguida.
A partir daqui a ação do livro começa a ser cada vez mais complexa, sendo passada em vários sítios do planeta e até mesmo na Lua e com diversas personagens, onde temos entre elas um grupo de ricos investidores que são convidados a por Orley a irem à Lua, onde se irá passar talvez a parte mais intensa da estória.
Como disse atrás, este livro é uma mistura de ficção científica com espionagem, Frank Schatzing já reconhecido com o seu anterior livro "O Quinto Dia", pelos seus conhecimentos científicos, aqui também não fica atrás, as suas descrições da Lua, das naves, do "elevador espacial", da extração de Hélio 3, são extremamente coerentes, corretas mas ao mesmo tempo bem integradas na ação não fazendo com que essas partes se tornem "mortas" e "chatas" estragando o livro. Também toda a parte cibernética e informática está muito verosímil e interessante.
A acção em si, é um crescendo, sendo no início um pouco mais calma, com a "apresentação" das personagens (que são bastantes) e a contextualização da ação no espaço e no tempo, mas depois o ritmo aumenta, tornando-se mesmo frenético e atingindo o clímax no final... Há partes de ação extrema, com perseguições, tiroteios, fugas, enfim havia alturas que parecia que não estava a ler um livro mas sim a ver um filme de tão boas e intensas que essas partes são.
Ou seja neste livro temos um pouco de tudo, viagens espaciais, detetives, dissidentes, assassinos profissionais, golpes de estado, ditadores de estados falhados, hackers, bombas nucleares ou seja uma "mistura explosiva" em que resulta este excelente livro que nos cola à leitura, fazendo com que as suas mil e poucas páginas não custem nada a ler.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Mundial da Poesia


E porque hoje é o Dia Mundial da Poesia, aqui fica um poema do grande Almeida Garrett

Este Inferno de AmarEste inferno de amar - como eu amo! - 
Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi? 
Esta chama que alenta e consome, 
Que é a vida - e que a vida destrói - 
Como é que se veio a atear, 
Quando - ai quando se há-de ela apagar? 

Eu não sei, não me lembra: o passado, 
A outra vida que dantes vivi 
Era um sonho talvez... - foi um sonho - 
Em que paz tão serena a dormi! 
Oh! que doce era aquele sonhar... 
Quem me veio, ai de mim! despertar? 

Só me lembra que um dia formoso 
Eu passei... dava o sol tanta luz! 
E os meus olhos, que vagos giravam, 
Em seus olhos ardentes os pus. 
Que fez ela? eu que fiz? - Não no sei; 
Mas nessa hora a viver comecei... 

Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

quarta-feira, 14 de março de 2012

"Em Nome da Pátria"

Este foi um dos livros que já foi lido este ano e que nos traz uma visão diferente e aprofundada sobre a Guerra de África.
Neste livro, Brandão Ferreira, mostra-nos as causas da guerra, os seus antecedentes históricos, a posição de Portugal no mundo, a "justeza" ou não da guerra, a legitimidade de Portugal em possuir os territórios ultramarinos, a política de Portugal em relação a esses territórios, a conjectura mundial (a invasão de Goa pela Índia, o apoio Russo e Norte-Americano aos movimentos independistas) e as pressões que Portugal sofreu dos outros países por causa desses mesmos territórios ao longo dos séculos, desde as descobertas até às independências.
Fala também sobre a política e as condições sócio-económicas de Portugal e dos territórios ultramarinos, a sustentabilidade da guerra e do desgaste de Portugal que culminou com o 25 de Abril de 1974 e a má retirada de Portugal de África.
Apesar de não concordar com alguns pontos de vista (nomeadamente políticos) do autor, considero este livro um documento soberbo, exaustivo, pormenorizado e interessante sob o ponto de vista historiográfico e social.
Apesar de a guerra já ter terminado à quase 40 anos, ainda é um tema "tabu" e muito mistificado, este livro como atrás disse mostra uma visão totalmente diferente, objectiva, e sem receios de fazer certas afirmações ou verdades que foram reprimidas durante estes anos todos, por não serem "politicamente correctas".
A guerra existiu, durou de 1961 a 1975, milhares de homens de ambos os lados nela combateram em frentes diferentes (Goa, Angola, Moçambique e Guiné) e não podemos esquecê-la, temos de olhar para ela objectivamente e tirar todas as lições possíveis de tudo o que nela aconteceu directa ou indirectamente. 
Nesse aspecto este livro está fantástico e recomendo-o a toda a gente.

Regresso

Sei que há mais de 6 meses que não venho aqui ao "O Que Eu Leio", no último semestre de 2011 a minha vida privada teve de se "virar" para outro objetivo que eu tracei e nisso resultou a minha falta de tempo para as leituras e consequentemente para vir aqui deixar as minhas opiniões. Com o novo ano, retomei as leituras, mas continuei sem aqui vir, mais por preguiça, do que por falta de tempo, mas hoje decidi que tinha de recomeçar a divulgar as minhas opiniões/sugestões de leitura como fazia anteriormente.
Não prometo que seja com a regularidade do ano passado, visto que o meu ritmo de leituras agora é mais lento mas sempre que um livro me despertar mais a atenção, prometo vir cá "opinar" sobre ele.
Aos leitores que me seguiam deixo as minhas desculpa e como disse no parágrafo anterior prometo não deixar cair este meu/vosso blog sobre livros e leituras.
A todos o meu obrigado

Nuno Martins

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Trilogia U.S.A. - John Dos Passos


Boas, sei que há muito não venho aqui ao blog deixar as minhas opiniões/sugestões de leitura, infelizmente devido a vários factores isso não tem sido possível, mas isso não quer dizer que também não tenha lido, antes pelo contrário, li vários e bons livros que (provavelmente) irei falar sobre eles aqui no blog.
Para compensar esta minha ausência, hoje vou dar a minha opinião não sobre um, mas sim sobre três livros.
Estes três livros em questão, fazem a obra que normalmente é chamada de "Trilogia U.S.A." do escritor Norte - Americano (com descendência lusa) John Dos Passos.
John Dos Passos, um dos maiores escritores Norte Americanos e pertencente à chamada "Lost Generation" como Hemingway, T.S. Elliot ou Fitzgerald, viveu intensamente o início do século XX, foi jornalista, viajou e conheceu a Europa, combateu na I Guerra Mundial e fez parte de grupos de esquerda Norte - Americanos e toda esta experiencia de vida depois foi transposta para esta monumental obra.
A "Trilogia U.S.A." é composta pelos seguintes livros: "Paralelo 42"; "1919" e "O Grande Capital".
No primeiro livro, "Paralelo 42", Dos Passos mostra-nos os Estados Unidos na época imediatamente antes da I Guerra Mundial e através das estórias de vidas de diversos personagens, que correm ao longo de toda a trilogia, podemos acompanhar as primeiras mudanças sociais, as lutas dos trabalhadores, as péssimas condições de vida e a exploração dos mesmos pelos grandes industriais.
No segundo livro "1919", temos o periodo da I Guerra Mundial, a neutralidade (falsa) dos Estados Unidos, as "caça à bruxas" aos pró-germânicos, os primeiros voluntários a irem combater para a Europa e depois a entrada real dos Estados Unidos na guerra. A maior parte da acção deste livro é passada na Europa e para além da Guerra, continua a mostrar os problemas sociais/sindicais mas também as primeiras ascenções de gente que era pobre e sobe na vida.
O terceiro livro "O Grande Capital", centra-se no período pós-guerra, no regresso dos soldados, do "boom" americano, os "loucos anos 20", a especulação na bolsa o início do capitalismo Americano, mas continua a mostrar também o outro lado, a desigualdade, a miséria, tal como nos outros livros anteriores.
As personagens desta obra, são pessoas normais, com os seus sonhos, vitórias, desilusões, cujas vidas por vezes se tocam em determinadas alturas, criando uma teia de estórias e acções que se entrelaçam entre si de forma suave e subtil.
Outro ponto que torna esta obra tão revolucionária é a própria escrita de Dos Passos, que divide a acção com pequenos interlúdios, com pequenos "recortes de notícias", notas pessoais, cantigas, que apesar de quebrar o ritmo da acção, coloca-nos ao mesmo tempo no contexto histórico/social da época.
Apesar da tradução estar muito boa, perde-se algumas nuances e experiências que Dos Passos faz com o inglês, mas felizmente este livros trazem um grande conjunto de notas e explicações do tradutor onde nos mostra e exemplifica essas experiências estilísticas.
Como se podem aperceber adorei estes livros, li os três em menos de uma semana e recomendo-os a todos.
Apesar de terem sido escritos na década de 30 do século passado, continuam actuais, há situações que parece que estão a acontecer agora.
Pipas

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A Sul da Fronteira A Oeste do Sol - Haruki Murakami


Desta vez trago-vos mais um livro do escritor japonês Haruki Murakami. Como também já vos disse nos posts anteriores que fiz sobre outros livros dele, este é um escritor com o qual eu tenho uma relação especial, a sua forma de escrever, as suas personagens e o ambiente que ele cria nos seus livros, deixam-me completamente fascinado.
Este livro em particular - "A Sul da Fronteira A Oeste do Sol" - é um desses livros que nos prende do princípio ao fim. Apesar de não ser dos melhores dele, tem uma estória bonita e com algum mistério que se lê bastante bem.
Murakami traz-nos a estória de Hajime e Shimamoto, primeiramente como crianças na década de 50/60 do século passado e depois mais tarde como adultos.
Hajime, filho único é um rapaz com um feitio especial, tímido e com interesses diferentes do resto das crianças, o que o leva a fazer amizade com Shimamoto, uma rapariga igualmente filha única e com os mesmos interesses dele e com uma ligeira deficiência numa perna o que lhe provoca um ligeiro coxear.
Sendo assim, eles passam os dias juntos, a ler, a estudar e principalmente a ouvir música, os discos da colecção do pai de Shimamoto, onde ele descobre a música de Nat King Cole - "South of the Border West of the Sun" - que empresta o seu título a este livro.
A amizade entre eles vai aumentando e aprofundando-se à medida que eles vão crescendo, transformando-se em algo mais profundo mas que eles ainda não percebem o que é.
Infelizmente a vida dá muitas voltas e o pai de Hajime tem de mudar de local de trabalho e devido a isso leva consigo a sua família e vão viver para outra cidade.
Hajime é forçado a separar-se de Shimamoto e apesar de ao princípio ainda ir ter com ela, com o tempo vão se separando definitivamente, entretanto conhece outra rapariga e apaixona-se por ela, mas o relacionamento termina de forma abrupta. Hajime entretanto acaba o secundário e vai para a universidade em Tóquio, aí leva uma vida solitária tanto como estudante, como depois de formado.
Começa a trabalhar numa pequena editora especializada em livros escolares e tem pequenas relações com várias mulheres, mas farta-se de todas elas.
Aos 30 anos conhece Yukiko e casa-se com ela. O pai de Yukiko é um grande empreiteiro de Tóquio, com muito dinheiro e proporciona o arranque da nova vida Hajime ao oferecer-lhe um espaço num prédio construído por ele. Aí Hajime abre o seu primeiro bar de jazz, sonho antigo que ele tinha e ao longo do tempo o seu bar torna-se bastante conhecido e conceituado, tornando-o num empresário de sucesso e com uma vida familiar fabulosa.
Mas um dia Shimamoto reaparece e a partir daí toda a sua vida de Hajime dá uma volta, velhas questões reaparecem, dúvidas sobre os seus sentimentos e claro todo o mistério que envolve a vida de Shimamoto desde que se separaram e que vai interferir também na sua vida.
Naturalmente também adorei este livro, é uma estória bonita, bem construída e com algum mistério o que proporciona uma leitura agradável e empolgante.
Murakami dá um final interessante a este livro, mas que deixa muitas perguntas no ar, o que é óptimo porque o leitor pode interpretar ou imaginar o final de outra forma.

domingo, 19 de junho de 2011

Ultramarina - Malcolm Lowry


Malcolm Lowry, foi outro dos "escritores malditos", teve uma vida muito conturbada, com muitos problemas devido ao alcoolismo e apenas publicou em vida dois livros publicados, primeiro este "Ultramarina" e depois o livro pelo qual é mais conhecido "Debaixo do Vulcão". 
Lowry para além do álcool, teve outra grande paixão na sua vida, as viagens e após terminar a escola e antes de ingressar na universidade, Lowry convence o pai a deixá-lo embarcar durante um ano num navio mercante como moço de convés e criado e nele faz várias viagens ao extremo oriente, (China, Japão) e vai tirando muitas notas e apontamentos que mais tarde irão dar forma a este seu primeiro romance "Ultramarina".
"Ultramarina" é na sua essência um romance auto-biográfico, nele Lowry recria-se na personagem de Dana Hilliot, um jovem de dezoito anos que tal como ele embarca num navio mercante, o "Oedipus Tyrannus", numa espécie de viagem iniciática e de passagem à idade adulta.
Hilliot não tem vida fácil no navio, é constantemente repreendido pelos mais velhos, atrasa-se no trabalho, mas nunca desiste e faz tudo por tudo para ganhar a simpatia dos restantes tripulantes, mas principalmente do cozinheiro Andy que lhe é particularmente antipático porque acha que ele está a tirar o lugar a algum "rapaz bom" que merecia mais que ele estar no navio.
Lowry ao longo do livro vai contando as peripécias de Dana durante a viagem e durante as escalas, onde ele é gozado pelos outros tripulantes por não ir a terra divertir-se com medo de trair a namorada que deixou em Inglaterra.
Este livro para além de ser um livro de viagens, bem ao estilo de Conrad ou Kipling (autores que Lowry leu durante a sua juventude), é também como atrás disse uma viagem iniciática, onde o jovem se torna num Homem e é também uma lição de vida, onde Dana Hilliot (que tal como Lowry é oriundo de classes sociais mais altas), conhece e tem de lidar com diferentes pessoas, situações e culturas totalmente diferentes do que ele conhecia, contribuindo para a sua formação de vida para ser um adulto responsável.
Gostei bastante deste livro, lê-se muito bem e esta edição que li pertence à colecção "Não Nobel" que está a ser lançada pelo jornal "Público".

sábado, 18 de junho de 2011

The Shipping News - E. Annie Proulx


"The Shipping News" da E. Annie Proulx, é um dos livros mais bonitos que li.
Annie Proulx, famosa escritora Norte - Americana, que já ganhou vários prémio, entre eles um Pulitzer com este mesmo livro, traz-nos de uma forma simples mas bastante emocionante uma bonita estória de um homem que após uma vida de desilusão e desprezo, consegue começar do novo numa terra longe e agreste.
Quoyle, o protagonista desta estória é daquele tipo de homens, cuja vida se resume a um tremendo nada, com uma infância pouco feliz, desprezado pelo pai, deixa os estudos e vai vivendo de pequenos trabalhos e vários empregos, até arranjar emprego num pequeno jornal.
Entretanto conhece Pearl, uma rapariga bastante bonita por quem se apaixona e com quem casa, mas Pearl depressa se revela, não se interessa por ele, vive uma vida de boémia, trai-o constantemente, mas mesmo assim Quoyle ama-a incondicionalmente e tem duas filhas com ela.
Um dia, recebe uma chamada do pai a informa-lo que ele a sua mãe se vão suicidar. No dia da cremação, Quoyle também descobre que Pearl o abandona de vez e leva com ela as filhas.
A partir daí entra em desespero e ao mesmo tempo conhece a sua tia, irmã do seu pai que vem para a cremação do seu irmão.
Após estes acontecimentos todos, Quoyle (que consegue recuperar as filhas), vai com a sua tia para a "Terra Nova" no Canadá, de onde a sua família é originária para refazer a sua vida.
A acção do livro, é aqui que realmente começa, Quoyle vê-se num sítio estranho, agreste, longe e diferente de tudo o que até aí conheceu e arranja trabalho num pequeno jornal da terra.
Descobre igualmente o passado (pouco recomendado) da sua família e tem de se libertar igualmente da sua fobia à água.
Este livro como já disse, tem uma estória muito bonita, mas para além disso, também a própria descrição da paisagem, vida e sociedade das pessoas que vivem num sítio tão desolado e agreste é magistral, por vezes sentimo-nos como se estivéssemos lá, quase sentimos o vento gelado a atravessar os nossos ossos.
A estrutura do livro também está muito boa, Proulx, dividiu o livro em vários capítulos, com título e com um pequeno texto sobre um nó ou arte de marinheiro específica, o que também torna a leitura bastante interessante.
Adorei este livro, que também já foi adaptado ao cinema, tal como "O Segredo de Brockback Mountain" que também é baseado num conto dela.
Recomendo a leitura deste livro e depois ver o filme, que tem vários actores conhecidos como Kevin Spacey, Cate Blanchett, Julianne Moore e Judi dench e que está (apesar de algumas diferenças), muito fiel ao livro.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Correcções - Jonathan Franzen


Jonathan Franzen é provavelmente um dos escritores Norte-Americanos mais conhecidos e lidos dos últimos tempos.
Recentemente lançou um livro “Liberdade” que se tornou um dos maiores sucessos no universo literário mundial e que consagrou definitivamente Jonathan Franzen como um grande escritor da actualidade.
Antes de ter escrito “Liberdade”, Franzen escreveu também outro magnífico livro “Correcções” e é sobre ele que eu vou falar.
“Correcções” escrito em 2001, apesar de não ser o primeiro livro de Franzen, foi o livro que o lançou. Foi com este livro que venceu diversos prémios literários como por exemplo o “National Book Award” ou o “New York Times Best Books of the Year” e o colocou na ribalta.
Este livro conta-nos a estória de uma família: Os Lambert, os pais Alfred e Enid e os seus três filhos, o mais velho Gary, o do meio Chip e a mais nova Denise.
A acção do livro passa-se durante os anos 90 do século passado, na época aúrea dos Estados Unidos, antes da crise económica, do atentado ao World Trade Center, quando ainda existia a “nova ordem mundial” e os Estados Unidos dominavam o mundo.
Alfred, o pai, engenheiro ferroviário reformado, com a doença de Parkinson, é um homem de regras e de escrúpulos, foi sempre fiel à empresa onde trabalhou, antes dela ter sido comprada e reformulada por um grupo de investidores, foi igualmente um pai e marido rígido e impôs uma educação baseada nesses valores aos seus filhos. Agora, doente, com todos os problemas que o Parkinson lhe traz e limitado apenas à companhia da sua mulher, tenta por todos os meios fazer a vida o mais normal possível apesar das dificuldades que isso traz a Enid.
Enid, a mãe, uma típica esposa dedicada ao marido e aos filhos, vive num mundo seu, desiludida no seu íntimo pela pouca ambição do marido e por isso nunca terem enriquecido (como os seus vizinhos que apostaram na bolsa e em fundos), com os seus filhos, que não foram os filhos perfeitos que ela sempre desejou, vive em exclusivo para o seu marido e tem em mente um projecto que quer concretizar a todo o custo que é juntar a família toda num último jantar de Natal na casa onde ainda habitam e onde os seus filhos nasceram e cresceram.
Gary, o filho mais velho apesar de ser o filho mais bem sucedido na vida, banqueiro, tal como o pai, agarrado ao trabalho, foi subindo na empresa devido ao seu “faro” para os negócios e investimentos. Mas nem tudo é perfeito na sua vida, Gary tem problemas, apesar de bem casado e com três filhos, não consegue impôr em casa a disciplina e a educação que ele quer, a mulher não quer ser dona de casa, tem valores totalmente contrários aos dele e aproveita-se de uma antiga lesão nas costas para fazer “chantagem emocional” com ele, utilizando e “virando” os filhos contra ele. Somando a isto tudo há a recusa da mulher e dos filhos de irem passar o Natal com Alfred e Enid, o que vai provocar uma série de problemas e incidentes na vida do casal.
O filho do meio, Chip, é o que se pode chamar a “ovelha negra” da família, deu um grande desgosto aos pais ao seguir literatura em vez de medicina ou engenharia. Mais tarde é colocado como professor numa escola e a vida até lhe vai correndo bastante bem, até se envolver com uma estudante menor, que lhe vai destruir a sua vida e carreira. Expulso da escola, decide tornar-se escritor e vive obcecado a escrever um argumento para um filme, enquanto que para viver vai fazendo uns trabalhos para um jornal e pedindo dinheiro emprestado à irmã. Até que um dia, se vê envolvido num esquema fraudulento que o vai levar para a Lituânia dos anos 90, recém independente da U.R.S.S. e na bancarrota, dominada por mafiosos e senhores da guerra.
Por fim temos Denice a filha mais nova, que também desiludiu os pais, principalmente a mãe, deixou de estudar, e começou a trabalhar num restaurante onde aprendeu e tornou-se uma chef. Entretanto casou-se com o dono do restaurante, um homem bastante mais velho que ela e judeu, mas o casamento dura pouco e ela vai trabalhar para outro restaurante, mais tarde conhece Brian, um programador informático que ficou rico devido a um programa por ele inventado e que constrói um restaurante de propósito para Denise administrar.
Através de Brian, Denise conhece também a sua família, principalmente a sua mulher Robin, que vai alterar a sua vida de vez.
Após Franzen nos ter dado a conhecer a família Lambert, um por um, vai acontecer uma situação na vida deles, relacionada com Alfred, e que por fim os vai juntar num último Natal e que vai servir para além de reunião de família, também de expiação a todos eles.
O que torna este livro tão bom, não é a estória particular de Lambert, mas sim o retrato social dos Estados Unidos que Lambert nos faz através dela.
Para além do normal confronto de gerações entre pais e filhos, temos também o próprio confronto de valores e morais entre as gerações mais próximas, o desmoronar do ideal de família Norte-Americano, em que os filhos seguiam as pisadas dos pais e tornavam-se também bons pais/mães de família, dedicados ao trabalho e ás famílias. Mostra também o “boom” tecnológico que se deu nos anos 90, a internet, os computadores, fortunas que se criaram de repente devido a isso e também da nova forma de fazer dinheiro através dessas novas tecnologias, a especulação, a bolsa, os fundos, a informação on-line que permite estar constamente a fazer negócios e também as vigarices e esquemas que acabaram por rebentar, originando a crise que depois nos afectou (e continua a afectar) a todos.
De facto é um livro magistral que nos prende do princípio ao fim, e que mereceu todos os prémios que recebeu.
Entretanto também já tenho o “Liberdade” e estou desejoso de o ler.