sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Acabadinhos de receber...


Acabadinhos de receber numa troca de prendas num jantar de amigos

O "Ulisses" de Joyce versão original, o que é óptimo visto que já li a versão traduzida em português agora vou confronta-la com o original e as "Aventuras de Richard Hannay" do escritor britânico John Buchan, talvez o "pai" das histórias de agentes secretos.
Uma curiosidade, a primeira história desta colectânea ("The Complete Richard Hannay Stories"), chama-se "The Thirty-Nine Steps" que seria mais tarde adaptado ao cinema por um senhor chamado Alfred Hitchcock.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Compreender a Globalização - O Lexus e a Oliveira" - Thomas L. Friedman


"Compreender a Globalização - O Lexus e a Oliveira" é um daqueles livros que todos nós devíamos ler.
Thomas L. Friedman grande jornalista do New York Times, foi durante muitos anos correspondente em vários países e isso permitiu-lhe observar "em primeira mão" todos os acontecimentos e conhecer os mais importantes intervenientes no advento da globalização e a respectiva transformação socio-económica que daí adveio.
Com uma linguagem bastante simples, sem termos técnicos, mas sem descurar nos pormenores Thomas L. Friedman mostra-nos ao longo de cerca de 500 páginas e num periodo de cerca de dez anos, que vão desde a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria até ao ano 2000, uma série de acontecimentos, políticas e transformações que se deram no mundo e o tornaram no que é hoje.
Neste livro abordam-se temas como o da economia, fala dos grandes bancos, das grandes financeiras, da forma como o dinheiro e o mercado se tornaram tão liberais e a especulação tão terrível que conseguiu derrubar governos e sistemas políticos com as crises económicas como por exemplo o da Indonésia.
Fala também do advento da informática, que permitiu que a comunicação se tornasse mais rápida, e principalmente o grande desenvolvimento da internet, pedra fulcral no sistema da globalização, visto que trouxe a mobilidade, velocidade e facilidade necessária a todas as formas de comércio para vencer nesta época de grande competividade.
Com a globalização veio também o mercado global, as grandes empresas que abrem e fecham sucursais em vários países conforme as condições de mercado e de produtividade e que absorvem as pequenas empresas que não lhes conseguem fazer frente e a influencia que essas mesmas grandes empresas têm nas políticas internas desses mesmos países.
Aborda também problemas como a ecologia e a forma como a globalização e principalmente a americanização se tem vindo a introduzir na sociedade e cultura ocidental, destruindo lentamente costumes e formas de cultura de outros países.
Apesar de já ter sido escrito há dez anos, ainda antes do 11 de Setembro de 2001 que veio mudar também muita coisa, este livro continua actual, principalmente porque atravessamos uma crise muito grave e este livro mostra-nos algumas das razões que contribuiram para isso e também qual o papel de vários intervenientes, como por exemplo os grandes bancos e fundos de investimento que especularam com dinheiro que não existia, as infames agencias de rating e as más políticas económicas de vários países.
Um livro de facto muito interessante e instrutivo, aconselho. 

sábado, 11 de dezembro de 2010

Últimas aquisições!!!


Últimas aquisições!!!
"Doutor Fausto" - Thomas Mann
"Corsários do Levante" - Arturo Pérez-Reverte (livro seis das Aventuras do Capitão Alatriste)
"O Senhor Elliot" - Gonçalo M. Tavares (O mais recente residente deste fabuloso "Bairro")

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Últimas aquisições

Hoje foi um dia muito profícuo na aquisição de novos livros.
Comecei logo o dia, a receber como oferta do meu irmão mais novo, o último livro de António Lobo Antunes - "Sôbolos Rios Que Vão", livro esse que ainda estava em falta para ter todos os livros dele na minha biblioteca.


Depois de almoço e aproveitando ter o dia de hoje de folga e apesar do frio, decidi ir a Lisboa dar um passeio, aproveitando para ir à Trama conhecer a nova loja.
Sendo assim lá rumei eu ao Rato até à livraria Trama.
Chegando à Trama, não consegui entrar, porque a Catarina tinha a entrada "atravancada" de caixas de cartão velhas e estava à espera que as viessem buscar, nisto chegou um senhor numa carrinha e ajudei a Catarina e outro rapaz que penso que seja o Ricardo a pôr as caixas na carrinha.
Por fim entrei e fiquei triste, a "nova"Trama não tem nada a ver com a "antiga", o espaço é muito mais pequeno, os livros estão bem arrumados mas em estantes altíssimas o que dificulta a visão dos títulos, não há aquele espaço onde se podia sentar e apreciar os livros, o barzinho onde inclusivé foi feita uma edição da tertúlia do BBdE também não existe, mas é compreensível, porque a venda de livros em Portugal nomeadamente nestas livrarias independentes não é rentável e por isso torna-se muito difícil sustentar um espaço com condições no meio de Lisboa.
Mesmo assim valeu a pena lá ir, eles são muito simpáticos e há sempre livros de qualidade que não se vêem nas grandes superfícies.
Como devem de calcular não vim de mãos a abanar.
Comprei o livro de poemas "Rusga" de Vasco Gato com edição da própria livraria Trama, o conjunto de contos de Marcel Proust com o nome de "Raça Maldita" e já que estava numa "onda" de contos, comprei também "Noites Na Granja Ao Pé De Dikanka" do escritor Russo Nikolai Gogol.


 Não satisfeito ainda, apanhei o metro até ao Chiado e fui à Bertrand (o oposto da Trama em tudo), onde comprei "Uma Viagem à India" do Gonçalo M. Tavares e o último do escritor Norte-Americano Michael Cunningham - "Ao Cair Da Noite".

 O que vale é que dias como este não acontecem sempre, senão as finanças iam por aí abaixo...

Cesariny


Faz hoje quatro anos que Mário Cesariny partiu.
No dia 26 de Novembro de 2006, Mário Cesariny de Vasconcelos falecia de cancro da próstato aos 83 anos de idade.
Cesariny, um dos maiores poetas e também artista plástico português, foi o grande impulsionador do movimento surrealista em Portugal.
Viveu uma vida conturbada, primeiro na sua juventude porque o pai não queria que ele seguisse o caminho das artes e depois até ao 25 de Abril de 1974 pelo fascismo na figura da PIDE devido aos seus escritos e à sua assumida homossexualidade.
Foi sempre uma pessoa reservada, apenas se dando mais a conhecer ao fim da sua vida, tendo participado inclusivé num documentário em 2004 em que ele "conta" toda a sua vida.
Perdeu-se um grande artista e um grande Homem, mas felizmente a sua arte tanto escrita como pictórica perdura, sendo até no caso da literatura reeditada várias vezes para  a podermos apreciar e lê-la.
Deixo um pequeno poema dele:

"Em todas as ruas te encontro"


"Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco"

Mário Cesariny

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Parabéns José Saramago


Se fosse vivo, José Saramago faria hoje 88 anos de idade, mas infelizmente deixou-nos há poucos meses atrás.
Saramago como todos sabem e apesar de todas as polémicas que rodearam a sua vida foi um grande escritor, um grande pensador, deixou-nos livros fabulosos como o "Memorial do Convento" ou o "Ensaio Sobre a Cegueira" e pôs a língua Portuguesa de novo no "mapa" literário mundial, sendo laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998.
Eu pessoalmente sou um grande apreciador de Saramago, naturalmente discordei com algumas intervenções mas concordei com outras.
A sua morte foi uma grande perda tanto para Portugal como para o mundo mas o que interessa em pessoas como o Saramago é que a sua obra irá perdurar, por isso...
Feliz aniversário José Saramago!!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"A Consciência de Zeno" - Italo Svevo

Um dos vários livros que li ultimamente e neste (infelizmente) largo periodo em que não postei nada aqui no blog, foi este "A Consciência de Zeno" do escritor Triestino Italo Svevo.
Esta edição que li é a da Dom Quixote e faz parte da colecção "Biblioteca Lobo Antunes" que são livros por ele escolhidos e por ele prefaciados.
Antes de falar do livro e da estória do mesmo, vou falar um pouco do seu autor, Italo Svevo.
Italo Svevo nasceu na cidade (agora) italiana de Trieste nos anos sessenta do sec. XIX, o seu nome verdadeiro é Aron Ettore Schmitz, adoptando mais tarde o pseudónimo de Italo Svevo pelo qual ficou conhecido.
Infelizmente enquanto Svevo foi vivo, a sua obra não foi reconhecida, razão pela qual ele nos deixou tão poucos livros, apesar de tudo e como "há razões que a própria razão desconhece", Svevo teve a sorte de ter como seu professor/explicador de ingles James Joyce, que leu alguns dos seus textos e reconheceu logo o enorme talento que Svevo tinha. Joyce e Svevo traduziram esta obra para francês, para ser publicada em Paris onde conheceu algum sucesso mas apesar disso tudo, como atrás disse a carreira literária de Svevo foi muito pequena porque ele se dedicava mais aos seus negócios do que à literatura.
Felizmente deixou-nos esta grande obra, de uma enorme qualidade mas ao mesmo tempo divertida e irónica.
O livro trás-nos a "biografia" de Zeno Cosini que na sua luta interminável para deixar de fumar procura a ajuda de um psicanalista e este sugere-lhe como forma de tratamento que ele escreva a história da sua vida e que com isso descubra a razão pela qual não consegue deixar de fumar.
A partir daqui e sempre com um relação de amor/ódio com o psicólogo Zeno vai descrever toda a sua vida, num tom semi cómico e irónico ele relata as peripécias que passou, desde o relacionamento com o seu pai, a escolha da sua esposa, a sua (não) queda para os negócios, as atribulações com as amantes e a sua velhice.
O livro é absolutamente delicioso, com passagens extremamente divertidas e bastante fácil de se ler.
Lobo Antunes deixou-nos este pequeno resumo que mostra bem o que o livro é.

"A Consciência de Zeno é um livro magnífico, todo em contenção apesar dos abandonos aparentes. É muito curiosa a forma como o autor pega e larga no texto que começa pela vontade de um homem em deixar de fumar e que Svevo, frase a frase, transforma numa vida inteira, através de uma escrita personalíssima."
António Lobo Antunes

De facto é sem dúvida um livro que vale a pena ler.

sábado, 25 de setembro de 2010

Booktrailer: Marina de Carlos Ruiz Zafón



Dia 30 de Setembro - "Marina" de Carlos Ruiz Zafón - finalmente!!!!!!

sábado, 11 de setembro de 2010

Berlim Alexander-Platz - Alfred Doblin


Como disse no post anterior sobre o "Fédon" de Platão, um dos livros que li recentemente depois de "O Homem Sem Qualidades" de Musil foi este excelente "Berlim Alexander-Platz" de Alfred Doblin.
Tal como é referido na capa desta edição, este livro está considerado "Um dos 100 livros mais importantes de sempre. Uma obra-prima da literatura."
"Berlim Alexander-Platz" trás-nos a estória de Franz Biberkopf, "...trabalhador dos cimentos e mais tarde do transporte de mobílias..." que após cumprir uma pena de quatro anos de prisão por ter morto à "porrada" a sua companheira volta de novo à liberdade e à cidade de Berlim, com a firme resolução "de se manter decente" e a sua luta para que isso aconteça.
O livro começa com a saída da prisão de Franz e logo aí começam as suas dificuldades, a estranheza que ele sente, o "esmagamento" que a cidade lhe provoca devido à sua dimensão e tudo isso leva-o a ter um ataque de panico, durante esse ataque ele conhece um judeu que o ajuda a voltar à realidade e nesse encontro que ele toma a resolução de se manter um "Homem decente", viver sem ter ou causar problemas.
Naturalmente que na Berlim do final dos anos 20, envolvida numa grande crise e mudanças tanto sociais como políticas e económicas devido à derrota na I Guerra Mundial e às resoluções sobre ela tomadas no Tratado de Versailles, não é fácil isso acontecer.
Franz que apesar de ser um homem grande e forte é um pouco ingénuo e envolve-se com pessoas que não são o que ele julga.
Uma dessas personagens é Reinhold um jovem com um temperamento terrível que pertence a um bando de criminosos. É devido a esse  Reinhold que toda a vida de Franz vai mudar, é por causa dele que vai perder um braço, é por causa dele que vai perder Mieze, uma jovem prostituta que se apaixona por Franz e que o ajuda a "Manter-se decente".
Pode-se pensar que é um exagero a crítica que vem na capa e com a qual iniciei este post, mas não é, este livro tem uma escrita única, uma cadência de texto extraordinária, muito visual, descreve a cidade de Berlim, principalmente a zona de acção de Franz de uma forma que nunca li, através de pequenas estórias, acontecimentos e até mesmo notícias de jornais que são intercaladas na estória principal.
Por alguma razão este livro já foi adaptado várias vezes ao cinema, sendo que uma delas numa obra monumental de cerca de 15 horas (que eu tenho em DVD), pela mão do não menos famoso realizador alemão Rainer Werner Fassbinder.
Tal como Dublin no "Ulisses" de James Joyce é a principal personagem, neste livro é a cidade de Berlin e a sua sociedade em particular a baixa sociedade, os pequenos criminosos, prostitutas, vigaristas que com os seus vícios, actos e até mesmo com a sua linguagem em gíria que são o principal personagem e que dão vida a este livro.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Fédon - Platão




Depois de ler "O Homem Sem Qualidades" e "Berlim AlexanderPlatz" (livro sobre o qual também irei postar brevemente a minha opinião neste blog), decidi ler uma obra mais pequena para "desanuviar" e sendo assim escolhi um dos melhores textos/diálogos escrito por um dos pais da filosofia; o "Fédon" de Platão
Neste livro "Fédon", Platão vai falar acerca da imortalidade da alma e para isso vai "pegar" no último dia de vida do seu mestre e também "pai" da filosofia; Sócrates e numa suposta conversa que ele teve sobre esse tema com os seus discípulos antes de morrer. (Sócrates foi condenado por um tribunal de Atenas a suicidar-se com veneno, acusado de "desviar" e "corromper" a juventude Ateniense com as suas ideias filosóficas).
O argumento é simples, começa tempos depois da morte de Sócrates, em que Fédon um dos discípulos presentes nesse dia, cruza-se com Equécrates e é interrogado pelo mesmo sobre o que Sócrates disse nesse seu último dia de vida, a partir daí Platão usa Fédon para reproduzir o diálogo e expressar na pessoa de Sócrates as suas teorias sobre a imortalidade da alma.
O diálogo tal como é normal em Platão é bastante coeso e fluído e no qual através da argumentação, da retórica e da utilização constante de premissas é justificada e explicada a imortalidade da alma e a pureza daqueles que tal como Sócrates que "renegaram" os prazeres carnais e apenas se dedicaram pura e exclusivamente à filosofia atigindo com isso a perfeição e a imortalidade.
Faz também uma descrição do que seria na ideia dele o "Hades" mundo para o qual as almas iriam após a morte dos corpos onde habitavam e para onde essas mesmas almas seriam conduzidas conforme o seu comportamento em vida. (Aqui vê-se uma grande parecença com as crenças cristãs, visto que também existem três locais distintos para as almas serem encaminhadas, uma espécie de "Inferno", "Purgatório" e "Paraíso" gregos.
O edição que li é a da "Guimarães Editores" da Colecção Filosofia & Ensaios, tamanho de bolso mas sem descurar a qualidade. Para além do diálogo propriamente dito, o livro contém também um prefácio/introdução exaustivo que explica e situa a obra e Platão no espaço e no tempo, explica a divisão do diálogo e as ideias principais sobre o tema, além deste prefácio/introdução o próprio texto é acompanhado de notas que ajudam a perceber e a situar-nos sobre as ideias expressas mas também na mitologia grega e outras teorias filosóficas gregas que tanto podem refutar como apoiar as de Platão.
Um pequeno livro mas sem dúvida um texto extraordinário, que apesar de já ter milhares de anos não deixa de impressionar quem o lê, mesmo aqueles que tal como eu apenas têm o conhecimento filosófico de "secundária".