sábado, 24 de abril de 2010

Últimas aquisições

Tom Waits - Nocturnos

A Morte de Artur Vol. I - Thomas Malory

E a obra - prima de Alfred Doblin - Berlin Alexander-Platz



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia Mundial do Livro


Comemora-se hoje dia 23 de Abril o Dia Mundial do Livro e claro está que não podia deixar passar em claro esta efeméride.
Aconselho a todos a aproveitarem e a verem as diversas actividades, propostas e ofertas que as livrarias e editoras estão a fazer hoje (principalmente) mas também durante este fim de semana, alusivas ao tema, tal como promoções, trocas de livros, lançamentos,tertúlias e conferências etc.
É sempre de louvar este tipo de iniciativas, não só no dia de hoje mas também durante os restantes dias do ano para incentivar e fomentar o gosto e a divulgação pelos livros e pela leitura em geral.
Aproveito para relembrar que brevemente vai-se realizar a feira do livro em Lisboa, mas depois hei-de fazer um post próprio sobre esse tema.
Eu pessoalmente irei até à Fnac do Chiado onde hoje e amanhã irão estar livros em promoção e trocas de livros usados.
Boas leituras a todos.

domingo, 11 de abril de 2010

Kafka à Beira - Mar


Por vezes há autores que por uma razão ou por outra desconfiamos ao princípio, talvez por serem "best-sellers"e duvidarmos da sua qualidade literária, talvez por serem os autores da moda ou porque ficamos com uma noção errada do tipo de livros que eles escrevem.
Comigo, isso aconteceu com o Haruki Murakami, na altura que os livros dele começaram a fazer sucesso em Portugal, fiquei com a ideia que ele era outro Paulo Coelho, (desde já me perdoem os apreciadores do Paulo Coelho), fiz uma ideia bastante errada do género de escritor que ele era e da qualidade das suas obras.
Há uns tempos atrás enchi-me de coragem e pedi um livro dele por empréstimo, o livro era "A Rapariga que Inventou um Sonho", uma colectânea de contos (género literário que sou grande fã e que serviu de mote também para a leitura desse livro) e dou a "mão à palmatória" fiquei rendido à escrita dele.
Infelizmente devido a inúmeras coisas só recentemente é que me "agarrei" a outro livro dele, (que por acaso me foi oferecido por uma pessoa de quem eu gosto muito) e o livro em questão e de que eu vou falar aqui no blog é o "Kafka à Beira - Mar".
Kafka à Beira - Mar conta a estória de duas personagens que apesar de muito diferentes e sem nunca se conhecerem vão interferir no destino de uma da outra e com isso modificar as suas vidas para sempre.
Kafka Tamura, um jovem de quinze anos, extremamente inteligente e desportista mas completamente solitário, foge de casa. Abandonado pela mãe em pequeno, com um pai que nunca se interessa por ele e sem amigos Kafka decide-se fazer à vida e envereda por um caminho que aos poucos o leva até aos confins tanto do Japão como da sua alma, atormentado pelo seu passado e alterando o seu futuro.
Paralelamente temos Nakata, um idoso, que devido a um estranho acontecimento na sua infãncia perde as faculdades de ler e do conhecimento mas com alguns "dotes" especiais e que por força dos acontecimentos pelos quais é atraído e envolvido sem a sua vontade, segue o mesmo caminho que Kafka.
Murakami é um escritor com uma extrema sensibilidade e imaginação recorre a um imaginário simples mas complexo com o qual transforma as suas estórias e cria uma ambiencia de fantástico e de irreal (para isso também ajuda a própria "imagem" do Japão, com as suas tradições e cultura ancestral), mas ao mesmo tempo verdadeiro, como por exemplo a capacidade de Nakata falar com gatos ou ter como personagens (ir)reais o boneco da marca de whisky Johnnie wlker ou o Coronel Sanders da KFC.
Este livro a meu ver é muito bonito, fala por metáforas das vicissitudes da vida, a solidão, o amor, a perda, a amizade e convida à introspecção.
Fiquei rendido ao Haruki Murakami e ao seu universo.

domingo, 28 de março de 2010

Bicentenário do nascimento de Alexandre Herculano


Faz hoje duzentos anos que nasceu esse grande escritor, humanista e historiador que foi Alexandre Herculano.
Alexandre Herculano a par de Almeida Garrett foi introdutor do género literário Romantismo em Portugal, foi igualmente um grande pensador e Humanista, escreveu a primeira História de Portugal em que foram utilizados métodos científicos e de rigor histórico.
Na sua juventude envolveu-se na guerra civil, participando mesmo na luta armada que opôs os absolutistas partidários de D. Miguel I aos liberais, partidários de D. Pedro IV, lado pelo qual ele como Homem culto e amante da liberdade lutou juntamente com Garrett.
Ao contrário de Garrett nunca quis cargos políticos, acabando mesmo por se "autoexilar" na sua quinta em Vale de Lobos (Santarém) aí acabando por morrer de doença em 1877.
Na sua obra literária podemos destacar os seus romances históricos em que "Eurico o Presbítero" será o seu expoente máximo, para além deste romance realço também "O Bobo" e as fabulosas "Lendas e Narrativas". Herculano também foi um esplêndido poeta apesar de essa sua faceta ser menos conhecida.
Tenho pena que um Homem que tanto deu pelo seu país, tanto na área artística como na científica e social seja tão pouco divulgado e esquecido, o exemplo perfeito disso são as comemorações do bicentenário do seu nascimento em que pouco ou nada foi feito ou divulgado.
Para mais informações sobre Alexandre Herculano deixo o link para o artigo sobre ele na wikipédia que está bastante completo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre_Herculano
Deixo também um poema para apreciarem
A Graça

Que harmonia suave
É esta, que na mente
Eu sinto murmurar,
Ora profunda e grave,
Ora meiga e cadente,
Ora que faz chorar?
Porque da morte a sombra,
Que para mim em tudo
Negra se reproduz,
Se aclara, e desassombra
Seu gesto carrancudo,
Banhada em branda luz?
Porque no coração
Não sinto pesar tanto
O férreo pé da dor,
E o hino da oração,
Em vez de irado canto,
Me pede íntimo ardor?

És tu, meu anjo, cuja voz divina
Vem consolar a solidão do enfermo,
E a contemplar com placidez o ensina
De curta vida o derradeiro termo?

Oh, sim!, és tu, que na infantil idade,.
Da aurora à frouxa luz,
Me dizias: «Acorda, inocentinho,
Faz o sinal da Cruz.»
És tu, que eu via em sonhos, nesses anos
De inda puro sonhar,
Em nuvem d'ouro e púrpura descendo
Coas roupas a alvejar.
És tu, és tu!, que ao pôr do Sol, na veiga,
Junto ao bosque fremente,
Me contavas mistérios, harmonias
Dos Céus, do mar dormente.
És tu, és tu!, que, lá, nesta alma absorta
Modulavas o canto,
Que de noite, ao luar, sozinho erguia
Ao Deus três vezes santo.
És tu, que eu esqueci na idade ardente
Das paixões juvenis,
E que voltas a mim, sincero amigo,
Quando sou infeliz.
Sinta a tua voz de novo,
Que me revoca a Deus:
Inspira-me a esperança,
Que te seguiu dos Céus!...
Esta é a minha pequena contribuição e homenagem a este grande Homem - Parabéns Herculano!

domingo, 21 de março de 2010

Porque hoje é o Dia Mundial da Poesia

Um Epílogo

Quando estes poemas parecerem velhos,
e for risível a esperança deles:
já foi atraiçoado então o mundo novo,
ansiosamente esperado e conseguido
- e são inevitáveis outros poemas novos,
sinal da nova gravidez da Vida
concebendo, alegre e aflita, mais um mundo novo,
só perfeito e belo aos olhos de seus pais.

E a Vida, prostituta ingénua,
terá, por momentos, olhos maternais.

Jorge de Sena, in 'Coroa da Terra'

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Livros para os Açores




Boas, espero que o Natal e a entrada neste novo ano de 2010 tenha corrido da melhor maneira possível e na companhia de quem mais gostam.
Tal como já falei no PipasBlog, encontro-me desde dia 30 de Dezembro do ano passado no Arquipélago dos Açores por motivos profissionais, só voltando dia 15 de Março deste ano.
Visto passar cá cerca de 2meses e meio, naturalmente tive de me "precaver" a nível de leituras, sendo assim, escolhi estes três livros para me fazer companhia durante a minha estadia nas ilhas.
Iniciei as leituras com um grande nome da escrita do séc. XX, tão injustamente esquecido mas que actualmente felizmente voltou às estantes de tanta gente, Robert Musil com o seu aclamado "O Homem Sem Qualidades", tenho comigo o 1º e 2º volumes, e vou adquirir também o 3º que saiu recentemente para ler a obra completa.
Após terminar "O Homem Sem Qualidades", passo para a revelação literária do ano passado, "2666" de Roberto Bolãno que tanto e tão bem ouvi falar, por fim e se ainda tiver tempo, trouxe também "A Sétima Porta" de Richard Zimler o mais Português dos escritores Norte - Americanos, cujos livros nomeadamente os romances históricos também me agradam muito.
Outro projecto que tenho a nível literário para este ano vai ser contabilizar os livros e as páginas lidas durante o ano, fazendo no final do mesmo um balanço.
Naturalmente que após a leitura dos respectivos livros cá irei deixar a minha opinião e comentário sobre os mesmos aqui no blog.
Fiquem bem.



quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Dia de Natal - António Gedeão


Feliz e Santo Natal na companhia de quem mais amam, são os meus votos a todos(as) que frequentam o "O Que Eu Leio".

Deixo-vos um poema de António Gedeão, que apesar de ser um poema de Natal não deixa de ser uma crítica à sociedade consumista de hoje, que quase se esqueceu do verdadeiro significado do Natal, do amor, da entreajuda, Paz e amizade entre as pessoas.

Mais uma vez, Feliz Natal a todos(as).
Pipas


Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A Cidade Sem Tempo - Enrique Moriel


A Cidade Sem Tempo do Enrique Moriel, pseudónimo de Francisco González Ledesma, reconhecido escritor e jornalista Espanhol é sem dúvida daqueles livros que quando se começa a ler não se consegue parar mais.
A acção começa na Barcelona dos dias de hoje com a morte de um grande industrial de forma misteriosa e com o seu advogado, Marcos Solana juntamente com o padre da família, Padre Olavide a tentarem arranjar explicação para essa morte.
Juntamente com o advogado Solana trabalha uma bela estagiária, Marta Vivres que vai ser uma pedra fucral para o desenrolar da estória.
Paralelamente a esta acção, existe outra, a estória de um ser, que nasceu na Idade Média e que é imortal, um vampiro.
Sim, este livro tem como personagem principal um vampiro, mas este vampiro (que se pode considerar um vampiro bom, apesar de beber sangue humano de vez em quando), vai nos acompanhar e mostrar a evolução da cidade de Barcelona e do seu povo desde a Idade Média até aos dias de hoje, sendo perseguido por outro ser, do lado da igreja numa luta entre o bem e o mal onde a estagiária Marta Vivres também está envolvida sem o saber.
Moriel (Ledesma), com este livro para além de nos contar a história temporal, social e arquitectónica de uma das belas cidades do mundo como é Barcelona, traz-nos também a eterna luta do bem contra o mal, de Deus contra o Diabo, mas com uma visão deveras surpreendente, que se resume nesta pergunta: "que prova temos de que no combate entre o bem e o mal, entre Deus e o Diabo, ganhou o primeiro?"
Mais uma vez, tal como nos livros de Ruiz Zafón, A Sombra do Vento e o Jogo do Anjo, o ambiente gótico e misterioso de Barcelona é explorado sendo a cidade a personagem principal do romance.
Este livro, apesar de uma das personagens ser um vampiro (tão em moda actualmente), é bastante bem estruturado e com uma grande veracidade e pormenor histórico - social, não é sem dúvida um livro para "adolescentes apaixonadas".
Fiquem bem
Pipas


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Os 75 anos de "Mensagem" - Fernando Pessoa

Faz hoje 75 anos que foi publicado o único livro de Fernando Pessoa, enquanto vivo, "Mensagem"
Livro de poemas que exalta o espírito simbolista e esotérico de Portugal.
Para comemorar esse facto a editora Guimarães lançou uma edição de 2500 exemplares em fac-símile do dactiloescrito que Pessoa entregou para edição.
Para mais informação ler aqui .
Vamos ver se consigo adquirir um exemplar para mim...
Pipas

Terra Sonâmbula - Mia Couto

Por há muito ouvir dizer muito bem deste livro, resolvi pegar nele, sendo que agora percebo porque se diz tão bem dele, é dos livros mais bonitos que li nos últimos tempos.
Durante a década de 90, e em plena guerra civil em Moçambique, Mia Couto traz-nos duas estórias paralelas mas que se entrelaçam entre si, primeiramente temos um menino (Muidinga) que viaja com um velho (Tuahir), que o recolheu e salvou da morte num campo de refugiados.
Ambos fugidos da guerra e da fome, caminham estrada fora até que encontram um machibombo (autocarro), que fora atacado, destruido e queimado na estrada. Aí resolvem ficar e descobrem entre os pertences dos mortos uma mala com uma série de cadernos que servem de diários.
A partir daqui começa o desenvolver de ambas as estórias a de Muidinga e Tuahir, e a de Kindzu, autor e protagonista das aventuras relatadas nos cadernos.
Mia Couto com este livro, consegue no seu estilo inconfundível e alegre de escrita fazer uma descrição do horror que foi a guerra em Moçambique, uma crítica ao oportunismo que se vivia na época e ao mesmo tempo misturar as lendas, crenças, misticismos e viveres africanos numa estória de amizade e de sobrevivência.
Este livro ganhou diversos prémios e já foi adaptado ao cinema, tendo como realizadora Teresa Prata tem a particulariedade de apenas ter dois actores profissionais, sendo o restante elenco amadores e pessoas dos sítios onde o filme foi filmado.
Gostei mesmo muito deste livro.
Pipas