sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sangue de Dragão - Ana Vicente Ferreira



"Aelanna sempre odiou aquilo que a tornava diferente dos outros elfos: o sangue de dragão, herança de um pai há muito desaparecido. Com a leitura do diário de um antepassado seu, pensa ter encontrado a solução para o seu problema. Parte então com Kels, em direcção ao Sul. Durante a viagem, Aelanna será obrigada a rever tudo o que sempre lhe fora ensinado sobre o mundo. Quando o elfo Ghyalt se junta ao grupo, Aelanna fica aliviada por ter alguém que partilha a sua mundividência. Mas Ghyalt trai-los-á a todos, desencadeando uma ameaça contra a qual toda a resistência parece inútil."
Sinopse retirada da capa.

Este é o primeiro livro, da autora Portuguesa Ana Vicente Ferreira, bastante bem concebido e escrito dentro de uma área tão concorrida como é a fantasia.
Não é nenhum "Senhor dos Anéis", mas consegue prender o leitor com a ambiência do mundo fantástico criado pela autora e pela acção em si.
As personagens estão bem estruturadas e sustentadas, o ritmo da acção após (a meu ver) um princípio um nadinha confuso, corre bastante bem e fluido.
Gostei bastante do livro e acredito que a Ana Vicente Ferreira tem potencial para fazer ainda melhor.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Deixem Passar o Homem Invisível - Rui Cardoso Martins

Recentemente terminei de ler o segundo livro de Rui Cardoso Martins que é este "Deixem Passar o Homem Invisível".
Rui Cardoso Martins, já com o seu "Se Eu Gostasse Muito de Morrer", tinha-me impressionado bastante pela positiva e dava mostras do seu enorme talento, mas agora com este seu último trabalho vem confirmar isso mesmo, uma enorme qualidade literária e uma grande sensibilidade.
Este livro é a história de António, um advogado cego devido a um acidente desde os seus sete anos de idade e de João, um escoteiro com oitos anos e com uma personalidade fantástica, que num dia de chuvadas torrenciais e por vicissitudes da vida, caiem ambos num buraco provocado pela enxurrada, num túnel de esgoto antigo.
A partir daqui António e João vão percorrendo o túnel que atravessa a cidade em busca da sua salvação. Passando por diversas peripécias, desde serem atacados por ratos a descobrirem esqueletos humanos, António e João vão criando um afecto muito grande um pelo outro, um sentimento de amizade muito profundo mas sem saberem que as suas vidas já se tinham cruzado anteriormente.
Paralelamente à superfície com as equipas de salvamento que procuram os desaparecidos, encontra-se Serip, mágico, ilusionista e até mesmo filósofo, amigo de António que é uma personagem bastante peculiar e activa e que muito contribui para o desenvolvimento da história e Madalena uma arqueóloga que descobre o mapa do túnel.
Durante a acção, as personagens fazem também retrospectivas da sua vida e dão-nos a conhecer toda a sua vida, pensamentos e desejos mais íntimos, fazendo uma espécie de expiação da mesma.
Tal como no livro anterior, este também serve de crítica e ironia à nossa sociedade, costumes e à forma de viver do Homem actual.
O livro lê-se bastante bem, são cerca de 230 páginas que nos prendem desde o início até um final totalmente inesperado e inconclusivo.
Gostei bastante do livro.
Pipas

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Jorge de Sena

Aproveitando o facto de ter sido feita hoje a trasladação dos restos mortais de Jorge de Sena e em complemento ao meu post no Pipasblog sobre este assunto, deixo aqui um poema dele que a meu ver seria o pensamento dele sobre todo este assunto.

"Ser um grande poeta
morto ou nacional
é atrair as moscas
como idiotas e
os idiotas como moscas.

Ser um poeta medíocre
vivo e universal
é atrair os catedráticos
de literatura como
idiotas e moscas

Ser um poeta apenas
nem vivo nem morto
ou nacional ou universal
é atrair apenas os poetas
como moscas idiotas

Moralidade: não há saída."

Jorge de Sena

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Inês de Portugal - João Aguiar


Boas, continuando "numa" de romances históricos, ontem peguei e li de uma "enfiada" um pequeno grande livro de João Aguiar que é este "Inês de Portugal".
Como de certeza já se aperceberam este livro trata dessa grande história de amor proibido entre o rei D. Pedro I e a aia de sua esposa, a Inês de Castro, que tanta tinta já fez correr na literatura Portuguesa desde Camões a António Ferreira.
Este história, inicialmente concebida como argumento/guião para o filme com o mesmo nome, foi adaptado e publicado como livro.
A acção do mesmo começa algum tempo após a morte de Inês, com a chegada como prisioneiros de dois dos culpabilizados pela morte dela, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho. Partindo daqui, a trama desenrola-se em saltos temporais, sendo contada através da figura de Álvaro Pais, conselheiro do Rei, toda a história passada e presente, desde o início do amor de Pedro por Inês, à guerra com seu pai devido à morte de Inês e por fim ao castigo dos assassinos de Inês e respectiva quebra ao juramento que tinha feito a sua mãe.
O livro é pequeno, tem pouco mais de 100 páginas (li a edição da BisLeya), mas é bastante empolgante, uma história que nos prende do princípio ao fim, com bastante rigor histórico, algumas intrigas palacianas à mistura e com uma nota do autor no final onde ele explica o que é verídico e o que é ficcionado.
Gostei bastante.
Fiquem bem
Pipas

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sharpe - Bernard Cornwell


Boas amigos(as), como várias vezes referi, um dos géneros literários que mais aprecio é o romance histórico, já vos falei da série "O Capitão Alatriste" de Perez-Reverte, de "Os Romanos" de Max Gallo e da série "Master and Commander" de Patrick O' Brian.
Hoje venho falar-vos de outra série que tenho lido ultimamente, (já li cerca de 4 livros da série) e que se passa na mesma época histórica que a série "Master and Commander, ou seja durante as guerras Napoleónicas, e que são as aventuras do fuzileiro Richard Sharpe.
Richard Sharpe é um soldado dos fuzileiros reais de Inglaterra que tem uma infância atribulada, nasce nos finais do século XVIII, filho de uma prostituta e de pai desconhecido, cedo se torna orfão, vive na miséria, e sobrevive de pequenos crimes até que para escapar à justiça se oferece como voluntário para o exército real.
É colocado na Índia onde participa em várias campanhas onde se vais distinguindo devido à sua coragem e à sua perícia como soldado. É na Índia que conhece e se torna "protegido" do famoso general Arthur Wellesley, (mais conhecido como Duque de Wellington), após lhe salvar a vida numa batalha.
A parte mais conhecida da série e a qual eu já li alguns livros como atrás referi e que igualmente se encontra traduzida em Português, são as suas aventuras na chamada "Guerra Peninsular", em Portugal e em Espanha, onde Sharpe vai passando por várias aventuras e batalhas determinantes do desenrolar das Guerras Napoleónicas, nessas aventuras vai ganhando o respeito e a liderança dos seus homens, progredindo na carreira devido ao seu valor e não à sua riqueza, visto que naquela altura os postos de oficiais eram comprados e não atribuidos.
Sharpe é uma personagem sólida, um homem de coragem, inteligente, um grande líder e que tal como o autor o descreve, "Não é um oficial mas também não é um soldado".
Nesta série, Cornwell descreve-nos igualmente e com um grande rigor histórico, essa época atribulada que foi a guerra contra Napoleão, descreve as batalhas com um grande realismo, bastantes pormenorizadas tal como a vida, equipamentos, armas e fardas dos soldados da época sejam eles Ingleses, Franceses, Portugueses ou Espanhóis.
Nota-se um grande trabalho de investigação e como disse um grande rigor histórico, os livros são bastantes fáceis de ler, as histórias apetitosas e viciantes, dando vontade de ler os livros todos da série (coisa que conto fazer).
É uma boa sugestão para uma leitura descontraída e empolgante.
Bernard Cornwell para além das aventuras de Sharpe tem também várias obras dentro romance histórico mas passadas na época do Rei Artur e na Idade Média, igualmente bastante boas e interessantes.
Fiquem bem
Pipas

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A Montanha da Alma - Gao Xingjian


Olá amigos(as), eu sei que há muito não vinha aqui, mas como já disse em outros posts e no Pipasblog, a minha vida pessoal e profissional de momento não me permite vir até aqui com a regularidade desejada.
Apesar destes inconvenientes pessoais, não deixei de ler evidentemente e como prova disso, hoje venho fazer um post sobre um livro lindo que li à pouco tempo.
O livro em questão chama-se "A Montanha da Alma" e é do escritor Chinês Gao Xingjian.
Gao Xingjian, para além de escritor é também um excelente pintor, dramaturgo e filósofo, um dos maiores pensadores Chineses da actualidade, que venceu o prémio Nobel da literatura no ano 2000.
Gao infelizmente foi reprimido pelo regime comunista chinês, sendo inclusivé preso e enviado para um campo de re-educação durante a "Revolução Cultural" chinesa.
Na década de 60 vem para a Europa e em 1997 assume a cidadania Francesa.
Este livro propriamente dito, descreve uma viagem à China profunda, onde o autor explora de forma metafísica, filosófica e ao mesmo tempo real a vida e quotidiano do povo Chinês.
Partindo do ponto de um encontro entre um Homem e uma Mulher, e a sua busca por uma "Montanha da Alma", perdida algures numa remota região da China, Gao dá a conhecer através de um conjunto de pequenas estórias que se unem entre si e tendo os personagens principais como intervenientes, a História da China, os seus costumes, a sua política, religião e superestições, dando com isso também um carácter de fantástico ao livro.
A Montanha da Alma, convida também à introspecção, a pensar no futuro e no passado e a tentar perceber o que é a vida e para o que ela serve.
É um livro muito interessante, com um enredo onde por vezes o misticismo se envolve com o real, criando uma aura de mistério, mas fabuloso de se ler.
Espero que gostem!
Pipas

quinta-feira, 14 de maio de 2009

As Benevolentes - Jonathan Littell


Boas, sei que há muito não vinha cá ao "O Que eu leio", mas como expliquei no Pipasblog a minha vida profissional deu uma grande volta e infelizmente estou muitas vezes ausente de casa e sem acesso à internet, até mesmo as minhas leituras foram reduzidas um pouco, evidentemente que não deixei de ler e nestes meses li vários livros bastantes interessantes que com pena minha não os comentei aqui no blog.
Entretanto consegui este pouco de tempo livre e decidi pôr aqui um post sobre um livro que terminei de ler recentemente e que muito me impressionou.
O livro chama-se "As Benevolentes" do escritor Norte-Americano (mas radicado em França, aliás o livro foi escrito em francês e não em inglês), Jonathan Littell.
Littell com este grande livro, tanto em tamanho como em qualidade conta-nos através das memórias de um ex oficial das SS alemão, Maximilien Aue, filho de pai alemão e mãe francesa que tem uma infância conturbada, e uma estranha relação com a irmã. Tudo isto vai moldar a sua personalidade e torna-lo numa pessoa bastante instável e com uma sexualidade fora do normal.
É através de Aue e da sua intervenção na guerra que Littell nos dá a conhecer o lado e a perspectiva alemã da guerra, principalmente a guerra na frente Leste, nomeadamente na Ucrania e depois no cerco de Estalinegrado, onde ele descreve com uma exactidão todo o sofrimento e desgraça que se abateu sobre os soldados e população civil, numa das batalhas mais terríveis e sangrentas da II Guerra Mundial, a descrição da vida dos soldados, o frio intenso, a falta de condições as doenças, os mortos, os mutilados, posso dizer que são das páginas mais violentas que li até hoje.
Após ser ferido e regressar a Berlim, Aue (que é formado em direito e jurista), é colocado a trabalhar junto a nomes sonantes da "Solução Final" para o problema dos judeus, trabalha com Himmler; Eichmann e Speer entre outros. Nesta parte do livro, Littell debruça-se sobre os judeus, os campos de concentração, descrevendo os mesmos e com bastante pormenor a brutalidade do tratamento que era dado aos judeus.
Com o aproximar do fim da guerra, e a iminente invasão por parte dos soviéticos, a loucura alemã desses dias foi levada ao extremo afectando igualmente Aue, levando ao final do livro e a sua respectiva fuga.
Este livro como atrás referi é de uma enorme qualidade, recebendo o seu autor dois dos maiores prémios literários franceses, o Goncourt e o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa. Apesar disso é um livro que lançou uma enorme polémica, sendo até mal recebido por muita gente e críticos. A meu ver é excelente, talvez dos mais violentos que li até hoje, tanto emocionalmente como psicológica e fisicamente, tem passagens muito "pesadas", descrições terríveis e pormenorizadas, mostra até onde o Homem pode chegar, tornar-se numa "besta", um "monstro" que consegue dizimar milhões de outros seres humanos em nome de um ideal, de uma política e da loucura de um ou alguns homens.
Para mim a parte negativa deste livro (mas que compreende-se que assim seja), são as inúmeras designações em alemão, tanto dos postos dos soldados, das repartições, ministérios, serviços, etc, etc, que obriga a uma constante busca no glossário que vem no fim do livro.
Para quem o queira ler, sugiro que o leia com um estado de espírito livre e com força de vontade porque não é um livro facil de ler devido às razões atrás referidas e às suas 884 páginas.
Espero que gostem, abraço
Pipas

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Edgar Alan Poe - 200 anos


Faz hoje 200 anos que nasceu esse grande génio literário tão incompreendido que foi Edgar Alan Poe.
Edgar Alan Poe, nasceu em Baltimore nos Estados Unidos e teve uma vida curta e conturbada.
Foi um precursor da literatura fantástica, terror e policial, foi igualmente um grande poeta.
Da sua obra podemos destacar "Os Contos Extraordinários", um conjunto de vários contos de cariz fantástica e sobrenatural, "Os Crimes da Rua Morgue", um policial bem elaborado e a "Narrativa Extraordinária de Gordon Pym", uma mistura de literatura de viagens e aventura com o sobrenatural.
Na poesia podemos destacar esse grande poema que é "O Corvo", que foi traduzido para português pela grande mestre Fernando Pessoa.
Alan Poe durante a vida, nunca foi considerado como um grande escritor, viveu sempre em dificuldades e entregou-se ao alcoolismo.
Tal como nos seus livros, até a sua morte está envolta em mistério, foi encontrado na rua, meio louco após um desaparecimento de vários dias, morrendo pouco depois de doença.
Apesar da sua controversa vida, Alan Poe foi um grande escritor que ainda hoje nos delicia com as suas histórias fantásticas, sendo um dos primeiros grandes autores dos Estados Unidos.

História Universal da Infâmia - Jorge Luis Borges

A História Universal da Infâmia, é um pequeno grande livro desse grande autor que é Jorge Luis Borges que é uma delícia de se ler!
Jorge Luis Borges, escreveu este conjunto de pequenos contos/relatos/biografias na sua juventude entre 1933 e 1934 e dá-nos a conhecer de uma forma simples, eficaz, resumida e até mesmo divertida, os nomes e a história da vida de certas personagens que foram autênticos criminosos, assassinos e vigaristas ao longo de vários séculos e locais.
Temos desde pistoleiros do velho oeste como Billy The Kid, a uma mulher pirata chinesa, samurais caídos em desgraça ou pretensos profetas árabes, tudo narrado de uma forma maravilhosa que nos prende da primeira à última página.
Deixo aqui uma nota explicativa do próprio autor sobre esta sua obra: "(A História Universal da Infâmia) são a irresponsável brincadeira de um tímido que não se animou a escrever contos e que se distraiu em fabricar e tergiversar (sem justificativa estética, vez ou outra) alheias histórias. (...) Derivam, creio, das minhas releituras de Stevenson e de Chesterton e também dos primeiros filmes de Von Sternberg e talvez de certa biografia de Evaristo Carriego."
Li a edição da colecção Biis da Leya, que traz grandes obras a um preço muito acessível e num formato de "bolso" mas que se leêm muito bem.

domingo, 11 de janeiro de 2009

O Pianista - Manuel Vázquez Montalbán

Desde já começo por pedir desculpa por esta ausência, mas esta altura do ano é terrível para mim, tenho sempre mais trabalho e menos tempo disponível para leituras e para actualizar o blog. Felizmente já tudo voltou à normalidade e cá estou eu de novo.
Hoje venho falar-vos de um livro que li no final do ano passado e nos primeiros dias deste ano.
O livro chama-se O Pianista e é do escritor espanhol Manuel Vázquez Montalbán.
Montalbán com este livro e de uma forma fabulosa e magistral faz-no um relato da história do séc XX Espanhol.
A história começa nos princípios dos anos 80, com a democracia espanhola a dar os seus primeiros passos, ainda muito tímidos e centra-se num grupo de amigos que vão ter uma saída à noite, passada na cidade de Barcelona, temos também uma grande descrição da própria cidade e do seu ambiente nocturno, a "movida" catalã.
Esse grupo de amigos, vai até a um cabaret assistir a um show de travestis, e lá encontram figuras públicas, nomeadamente Javier Solana, ministro em Espanha na época e o grande músico espanhol Doria.
Nesse cabaret, a acompanhar os shows de travestis, encontra-se um pianista, já idoso que chama a atenção a um elemento do grupo, devido ao seu virtuosismo a tocar, coisa fora do normal num ambiente daqueles, mais curioso vai ficar depois que no final, quando o músico Doria se dirige a esse pianista pelo nome próprio e o elogia, como se conhecessem há muitos anos.
Esta primeira parte do livro, serve como introdução à história do pianista, Albert Rossell de seu nome.
Em seguida, a acção passa-se na Barcelona dos anos 40, após a guerra civil, e a II Guerra Mundial, onde a Espanha já se encontra dentro do fascismo e temos um Rossell acabado de sair da prisão e a tentar integrar-se numa sociedade reprimida e controlada, onde ele e todos os outros ex combatentes republicanos têm dificuldade em inserir-se. Nesta parte a vida política e social de Espanha, é muito bem retratada, por vezes até de uma forma até um pouco cómica, principalmente na parte da busca de um piano para Rossell tocar. Com a descoberta de um piano, vem também o reencontro com Teresa.
Reencontro esse que nos transporta para a terceira parte do livro e para a Paris dos anos 30, que ferve de cultura e liberdade, são os anos de Hemingway, Stein, Malraux, Picasso e é nesse ambiente que encontramos um Rossell acabado de chegar da pacata Barcelona, também ele tímido e pacato apenas preocupado com os seus estudos no conservatório.
Rossell fica hospedado na casa de Doria, que é um personagem sem escrúpulos, interesseiro, apenas preocupado com a sua glória, capaz de trair quem quer que seja, sem o mínimo arrependimento para alcançar os seus fins, juntamente com Doria conhece Teresa a sua amante.
É neste clima que Rossell vai viver, ofuscado por Doria, que é totalmente o contrário dele, causando vários conflitos entre eles.
Esta também é a Paris dos revolucionários, é lá que se encontram grupos clandestinos de comunistas e anarquistas espanhóis, que esperam atentamente o evoluir da inconstante política espanhola, que conduz à guerra civil, para intervirem e regressarem a Espanha para combaterem.
Rossell vai viver dias de incerteza, de esperança e de conflito interno e é neste estado de emoções que ele vai fazer a escolha que lhe vai alterar a sua vida para sempre.
Montalbán com este livro que começa do fim para o início e que nos deixa também muitas pontas soltas, sendo quase três livros diferentes num só, faz uma descrição, mas acima de tudo uma crítica muito forte à Espanha do séc. XX e às suas políticas, seja o socialismo antes da guerra civil com os seus exageros e fraquezas, o fascismo ou a democracia "hipócrita" dos anos 80. Mostra também que não é só escritor de policiais, demonstrando que é sem dúvidas um dos melhores escritores espanhóis da actualidade.